Numa altura em que a transição energética avança a diferentes ritmos na Europa, começam a surgir alternativas que permitem reduzir as emissões sem trocar de automóvel nem alterar infraestruturas. Entre essas soluções está um produto que tem chamado a atenção em Espanha e promete redesenhar o futuro da mobilidade: o chamado combustível rosa.
Durante décadas, abastecer um veículo significou escolher entre gasolina e gasóleo. Apesar de existirem testes com misturas experimentais ou aditivos, o mercado nunca mudou realmente. Essa realidade ganhou um novo impulso quando a Repsol decidiu lançar uma gama de combustíveis renováveis identificados por uma cor inesperada nos postos de abastecimento, segundo aponta o portal especializado em automóveis El Motor.
Em várias estações de serviço espanholas surgiram pistolas de cor rosa, algo impossível de ignorar para quem passa pela bomba. A tonalidade não é decorativa: distingue os carburantes Nexa, disponíveis em versões de gasolina (rosa claro) e gasóleo (rosa mais intenso), ambos de origem totalmente renovável.
O que torna o combustível rosa diferente?
Ao contrário dos combustíveis fósseis tradicionais, os carburantes Nexa são produzidos a partir de resíduos orgânicos, como óleos de cozinha usados e restos de atividades agrícolas e florestais. Em vez de seguirem para descarte, estes materiais transformam-se em energia, dentro de um processo que se integra nos princípios da economia circular, refere a mesma fonte.
O resultado final é um combustível com composição química muito próxima da gasolina ou gasóleo convencionais, mas com uma pegada de carbono significativamente menor. De acordo com os dados da própria Repsol, a redução pode atingir cerca de 90 por cento ao longo de todo o ciclo de vida do produto.
Vantagens para o utilizador e para o ambiente
Entre os benefícios apontados pela empresa está a possibilidade de reduzir drasticamente as emissões de CO₂ sem necessidade de trocar de veículo. Um dos argumentos mais destacados é precisamente este: qualquer automóvel com motor de combustão, seja gasolina, gasóleo ou híbrido, pode utilizar estes combustíveis renováveis sem modificações e com desempenho semelhante aos carburantes prémium.
De acordo com a mesma fonte, outro fator relevante está relacionado com os setores que enfrentam maiores dificuldades de eletrificação, como o transporte pesado, a maquinaria agrícola ou os serviços públicos. Para estas áreas, o combustível rosa apresenta-se como uma solução imediata enquanto se aguardam alternativas tecnológicas mais maduras.
Uma alternativa que já chegou a Portugal, mas sem a cor
A expansão dos combustíveis renováveis não se limita a Espanha. Em Portugal, a Repsol já comercializa produtos da mesma categoria energética, incluindo opções totalmente renováveis como o Diesel Nexa 100% renovável. A diferença está na forma como são apresentados ao consumidor.
Ao contrário do que sucede em Espanha, onde as mangueiras cor-de-rosa identificam de imediato estes carburantes, os postos portugueses continuam a utilizar as cores tradicionais, sem adotar esta distinção visual. O combustível renovável existe e está disponível em várias estações, mas a sua presença não é identificada pelo mesmo sistema de cor, algo que pode tornar o conceito menos evidente para quem abastece no território nacional.
Uma etapa visível na transição energética
A introdução destas soluções representa um passo importante para quem procura reduzir a pegada ambiental sem abdicar do veículo atual. Segundo o El Motor, a Repsol já disponibiliza combustível renovável em mais de 1.400 estações de serviço em Espanha e planeia alargar essa rede. Em Portugal, a oferta também está a crescer, embora com sinalização diferente.
Esta aposta demonstra que a mudança não depende apenas da eletrificação total, mas também de alternativas intermédias capazes de reduzir emissões no imediato. O combustível rosa, mais do que uma cor invulgar nos surtidores, simboliza essa nova fase: uma transição possível sem ruptura e acessível a qualquer condutor.
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