Os acidentes rodoviários não são todos iguais e as consequências para os ocupantes variam de forma significativa consoante o tipo de impacto, seja frontal, lateral, por alcance ou por capotamento. Esta distinção é fundamental para compreender os riscos associados a cada cenário e os tipos de lesões mais frequentes.
A Dirección General de Tráfico espanhola (DGT) explica que cada tipo de sinistro envolve dinâmicas diferentes, o que faz com que o corpo humano reaja de forma distinta em função da direção e da intensidade do impacto. Por essa razão, as lesões sofridas pelo condutor e pelos passageiros podem variar bastante de um acidente para outro.
Entre todos os cenários de acidentes rodoviários, as colisões frontais continuam a ser das mais perigosas. Neste tipo de impacto, os ocupantes tendem a ser projetados violentamente para a frente devido à brusca desaceleração do veículo, de acordo com o jornal digital espanhol especializado em auto El Motor.
O que acontece numa colisão frontal
Quando o cinto de segurança não está colocado, o corpo continua a avançar sem qualquer retenção até embater em superfícies rígidas, como o tablier ou o para-brisas. Nos casos mais graves, a força do embate pode mesmo provocar a projeção dos ocupantes para fora do veículo, aumentando drasticamente o risco de ferimentos fatais.
Mesmo quando o cinto é utilizado, o movimento do corpo não é totalmente evitado. Entram então em ação outros elementos de segurança, como o airbag, mas o deslocamento do tronco continua a ocorrer, podendo dar-se em duas direções distintas: por baixo ou por cima do volante.
Se o corpo deslizar para baixo, sob o volante, surge o chamado efeito submarino. Este fenómeno está associado sobretudo a lesões nas pernas e no abdómen, resultantes da compressão e do impacto nessa zona do corpo, de acordo com a mesma fonte.
Lesão conhecida como “bolsa de papel”
Quando o movimento acontece no sentido oposto, com o tronco a subir e a ultrapassar o volante, pode ocorrer uma lesão menos conhecida, mas particularmente grave, conhecida como “bolsa de papel”. Esta lesão afeta diretamente os pulmões e está associada a um mecanismo muito específico. Segundo a DGT, ocorre quando o condutor, por reflexo, inspira profundamente e prende a respiração nos instantes que antecedem o impacto.
Se o choque incidir com força no tórax enquanto os pulmões estão cheios de ar, a pressão interna pode provocar a rutura do tecido pulmonar, de forma semelhante ao que acontece quando uma bolsa de papel insuflada rebenta ao receber uma pancada súbita. Trata-se de uma situação rara, mas extremamente perigosa, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Outras lesões frequentes neste tipo de acidente
As consequências de uma colisão frontal não se ficam por aqui. São também frequentes os traumatismos cranioencefálicos, causados pelo impacto da cabeça contra o para-brisas, o pilar dianteiro, o volante ou até o retrovisor interior.
Além disso, registam-se com frequência fraturas das costelas, lesões nos órgãos torácicos, danos abdominais provocados pelo contacto com o volante ou pela força da desaceleração, bem como lesões cervicais. Nestes casos, a coluna vertebral acaba por absorver uma parte significativa da energia do impacto.
Este conjunto de lesões demonstra que, apesar da evolução dos sistemas de segurança automóvel, as colisões frontais continuam a representar um risco elevado, de acordo com o El Motor. A utilização correta do cinto de segurança e uma postura adequada ao volante continuam a ser fatores essenciais para reduzir a gravidade das consequências em caso de acidente rodoviário.
















