Num contexto em que o automóvel continua a ser essencial para milhares de pessoas no dia a dia, estacionar numa zona paga deveria ser um ato simples e seguro. No entanto, em várias cidades espanholas, os parquímetros passaram a estar associados a uma nova burla que já provocou prejuízos superiores a 16 mil euros e tem como principais vítimas condutores de faixas etárias mais avançadas.
O alerta surge após um caso registado em Barcelona, onde dois homens conseguiram enganar dezenas de automobilistas em zonas de estacionamento regulado. A situação veio expor fragilidades no pagamento presencial nos parquímetros, sobretudo quando não é utilizado um sistema digital oficial, segundo o site especializado em automóveis El Motor.
Segundo a investigação, os suspeitos aproveitavam momentos de maior afluência junto aos parquímetros para identificar condutores mais velhos, considerados mais vulneráveis a abordagens diretas. O esquema começava com uma conversa informal, criando um clima de confiança antes de avançar para a burla.
Condutores mais velhos na mira dos burlões
De acordo com as autoridades, os burlões aproximavam-se das vítimas com o pretexto de ajudar no pagamento do estacionamento. Alegavam dificuldades no funcionamento da máquina ou diziam que o processo era confuso, pedindo o cartão bancário para “resolver” a situação.
Assim que tinham o cartão na posse, afastavam-se rapidamente do local. Mais tarde, realizavam várias operações de baixo valor, que não exigiam a introdução do código de segurança, reduzindo a probabilidade de deteção imediata, refere ainda a mesma fonte.
No total, são atribuídos aos suspeitos cerca de 30 furtos. O montante retirado às vítimas ultrapassa os 16 mil euros, valor apurado após a análise das transações realizadas com os cartões roubados.
Investigação e detenções
O caso foi desmantelado numa operação conduzida pelos Mossos d’Esquadra, a polícia autónoma da Catalunha, que deteve os dois homens. A investigação revelou que a maioria das vítimas pertencia a faixas etárias mais elevadas, reforçando o alerta para este grupo em particular. As autoridades sublinham que este tipo de crime explora a confiança e a dificuldade de adaptação a tecnologias de pagamento, sobretudo em espaços públicos e situações que exigem rapidez.
Parquímetros continuam a ser alvo frequente
Este não é um fenómeno novo. Segundo o El Motor, nos últimos anos, os parquímetros têm sido utilizados como ponto de entrada para várias burlas em cidades europeias. Uma das mais comuns envolve a colocação de códigos QR falsos sobre os originais existentes nas máquinas.
Nestes casos, os códigos fraudulentos redirecionam os utilizadores para páginas falsas, visualmente idênticas às oficiais. Ao introduzir dados pessoais e bancários, os condutores acabam por fornecer informação sensível que é depois utilizada para efetuar movimentos não autorizados.
Alerta que também diz respeito a Portugal
Embora o caso tenha ocorrido em Espanha, esta burla não depende de falhas específicas daquele país e, em Portugal, onde os parquímetros continuam a ser usados diariamente em muitas cidades e onde uma parte dos condutores ainda prefere o pagamento presencial, um esquema semelhante poderia ser replicado.
A combinação entre máquinas físicas, pagamentos com cartão e a boa-fé de condutores mais velhos cria um cenário propício a este tipo de abordagem, o que reforça a necessidade de atenção redobrada sempre que alguém se oferece para ajudar no pagamento do estacionamento.
















