Cada vez mais veículos vêm equipados com funções que prometem tornar a condução mais confortável e prática. No entanto, nem todas são inofensivas. Um médico norte-americano veio agora alertar para os riscos de uma função muito comum com um botão do carro que pode, sem que se dê conta, afetar muito a sua saúde e a capacidade de reação ao volante.
Botão de recirculação do ar
O alerta é dirigido à função de recirculação do ar, aquela que normalmente se ativa nos dias de calor para impedir que o ar quente do exterior entre no habitáculo. Segundo o médico Clay Moss, citado pelo jornal britânico The Mirror, utilizar esta opção durante muito tempo pode aumentar perigosamente os níveis de dióxido de carbono (CO₂) dentro do veículo, o que interfere diretamente com o desempenho cognitivo do condutor e com a sua segurança.
A função é especialmente útil em certas situações, por exemplo, quando se liga o ar condicionado num dia de muito calor, ou para evitar os fumos de um carro à frente. No entanto, tal como explica o médico num vídeo publicado nas redes sociais, manter esta opção ativa durante longos períodos pode ter efeitos indesejados: “Essa recirculação impede a entrada de ar fresco, o que pode fazer com que os níveis de CO₂ subam muito rapidamente”, avisa.
Estudos indicam que, com apenas 30 minutos de recirculação contínua, os níveis de dióxido de carbono dentro do veículo podem ultrapassar os 12.000 ppm (partes por milhão), valor a partir do qual se começa a sentir fadiga mental, lentidão de pensamento e sonolência. Se houver mais passageiros no carro, este valor pode atingir entre 2.500 e 3.000 ppm em menos tempo.
Efeitos na condução
Os efeitos são claros: sensação de cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade e tempos de reação mais lentos. Tudo isto contribui para um maior risco de acidente, sobretudo em viagens longas ou em ambientes urbanos com trânsito intenso.
A própria plataforma científica ScienceDirect corrobora estas conclusões, referindo que níveis elevados de CO₂ no interior dos veículos “limitam a capacidade de concentração” e aumentam a sonolência, de acordo com a mesma fonte.
De acordo com um estudo já longínquo, realizado em 2018 sobre as condições de condução nos Estados Unidos, 75% das viagens com quatro pessoas no carro ultrapassavam o limite de 2.500 ppm de CO₂, o suficiente para afetar negativamente a performance cognitiva dos ocupantes.
Solução simples
Mas a solução é simples e eficaz. “Basta abrir ligeiramente os vidros ou mudar a ventilação para o modo de entrada de ar fresco durante dois minutos”, recomenda o médico. Esta pequena ação é suficiente para renovar o ar e restaurar os níveis normais de oxigénio no habitáculo.
O especialista termina com um aviso direto, citado pelo The Mirror: “As definições do climatizador do carro não servem apenas para conforto. Elas influenciam também a forma como pensamos e reagimos. Por isso, respire melhor e conduza em segurança.”
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