O que começou como um simples sistema para pagar portagens sem parar transformou-se, em poucos anos, numa plataforma digital que reúne grande parte da mobilidade quotidiana em Portugal. Em 2026, a aplicação Via Verde afirma-se como um ponto único de acesso para quem conduz, estaciona, carrega um veículo elétrico ou utiliza transportes públicos, concentrando serviços que antes estavam dispersos por várias aplicações e cartões.
A dimensão do ecossistema é expressiva. De acordo com o Ekonomista que cita a Via Verde, empresa especializada em soluções de mobilidade e pagamentos automáticos, existem atualmente cerca de cinco milhões de identificadores ativos no país, num universo que já não se limita às autoestradas. A ambição passou a ser clara: simplificar a experiência de deslocação, urbana ou interurbana, através do telemóvel.
A aplicação, disponível para Android e iOS, funciona como um centro de controlo. Quem já tinha o identificador físico, colado no para-brisas, passou a poder gerir contratos, movimentos e pagamentos digitais a partir de um único espaço. Para novos utilizadores, todo o processo de adesão também se faz na app, desde o registo inicial à escolha do plano, com envio posterior do identificador.
Um hub para a mobilidade diária
A Via Verde começou por resolver um problema concreto, evitar filas nas portagens. Hoje, integra estacionamento em mais de 60 municípios, carregamento elétrico, circulação em transportes públicos selecionados e até aluguer de scooters partilhadas. O utilizador define a matrícula, associa um meio de pagamento e já não precisa de moedas, talões de papel ou múltiplas contas espalhadas pelo telefone.
No estacionamento, a app permite ativar e terminar sessões remotamente, pagando apenas o tempo efetivamente utilizado. A funcionalidade estende-se a zonas com parquímetro e a parques aderentes, reduzindo o risco de multas por esquecimento. Desde 2025, foi também integrada tecnologia preditiva, que analisa padrões de ocupação e indica a probabilidade de encontrar lugar numa determinada zona.
Para os veículos elétricos, a aplicação passou a funcionar como chave de acesso à rede pública Mobi.E. O mapa mostra mais de nove mil postos, com indicação de disponibilidade, tipo de tomada e custos estimados. O desbloqueio é feito diretamente na app e o utilizador acompanha, em tempo real, a energia carregada e o valor associado.
A componente ferroviária inclui acesso a serviços de comboio e a transportes urbanos no Porto, com registo de viagens e gestão de títulos, enquanto a parceria com a Cooltra permite localizar, desbloquear e pagar scooters elétricas sem sair da aplicação.
Conta única, vários perfis
A gestão de conta tornou-se um dos eixos centrais da evolução da aplicação. Todos os movimentos ficam registados numa área única, com filtros por serviço, período ou matrícula. É possível exportar extratos em PDF ou Excel, uma funcionalidade especialmente útil para trabalhadores independentes ou empresas.
A app admite perfis separados para uso pessoal e profissional, mantendo históricos independentes. Em caso de perda ou dano do identificador, o pedido de substituição também é feito digitalmente, com uma taxa associada. Dados contratuais, métodos de pagamento e matrículas podem ser alterados a qualquer momento.
Planos e custos em 2026
Os preços foram atualizados em abril de 2026 e diferem consoante o tipo de utilização. O plano mais simples, dedicado apenas às autoestradas, tem um custo anual reduzido, sobretudo na versão com extrato eletrónico. Já a modalidade Via Verde Mobilidade inclui todos os serviços disponíveis, do estacionamento ao carregamento elétrico, com um valor anual que continua abaixo de 20 euros quando dispensado o papel.
Existe ainda uma solução intermédia, pensada para utilização ocasional, em que a mensalidade só é cobrada nos meses em que há movimentos, bem como uma opção de pagamento único destinada exclusivamente às portagens. Para visitantes estrangeiros, mantém-se um plano específico, também com cobrança limitada aos períodos de uso.
O que ganha e o que fica de fora
A principal vantagem está na centralização. Serviços que exigiam aplicações distintas passam a coexistir num único ambiente, reduzindo fricção e tempo perdido em autenticações sucessivas. No caso dos veículos elétricos, a integração evita o registo em múltiplos operadores.
Há, no entanto, limitações estruturais. A app depende de ligação à internet para funções críticas, como estacionamento ou carregamento. A cobertura do estacionamento Via Verde ainda não abrange todo o território e alguns utilizadores continuam a relatar falhas pontuais após atualizações, exigindo novo login.
Segundo a mesma fonte, a estratégia passa por continuar a alargar parcerias e serviços, mantendo o foco numa experiência integrada. Em 2026, a Via Verde deixou definitivamente de ser apenas um dispositivo de portagens e passou a funcionar como um retrato cada vez mais completo da forma como os portugueses se deslocam e pagam a mobilidade no dia a dia.
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