Novas dietas destinadas ao robalo e à dourada estão a ser testadas em mar aberto no Algarve, em condições reais de produção, no âmbito do projeto Pep4Fish, integrado no Pacto da Bioeconomia Azul e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Os ensaios decorrem na Seaculture, empresa da Jerónimo Martins Agro-Alimentar e parceira do consórcio, que assume a demonstração final do projeto no seu sistema de aquacultura offshore instalado na região algarvia.
O objetivo passa por avaliar formulações alimentares desenvolvidas para tornar os peixes mais resistentes ao stress e às infeções bacterianas, reduzir a mortalidade e as perdas económicas do setor e melhorar a qualidade do pescado disponibilizado aos consumidores.
O projeto integra um investimento de 21,7 milhões de euros e entra agora numa fase considerada determinante para validar, à escala comercial, resultados anteriormente obtidos em laboratório.
Em avaliação encontram-se dietas experimentais enriquecidas com novos hidrolisados proteicos, ingredientes obtidos através da transformação de proteínas provenientes de recursos subaproveitados em compostos de absorção mais fácil pelos peixes.
Segundo os promotores, estas soluções nutricionais procuram reforçar a saúde, a robustez e o crescimento do robalo e da dourada, promovendo simultaneamente uma alimentação aquícola mais sustentável e enquadrada nos princípios da bioeconomia circular.
“Estamos a avaliar a performance dos peixes com estas novas dietas em ambiente produtivo, dado que os resultados iniciais em laboratório, apontam para indicadores muito positivos, nomeadamente ao nível do crescimento e da redução das taxas de mortalidade”, refere Pedro Encarnação, diretor executivo da Seaculture.
Ensaios levam investigação à produção comercial
Para a Seaculture, esta etapa representa a passagem da investigação científica para a aplicação prática e permitirá perceber de que forma a inovação na alimentação pode responder a alguns dos principais desafios enfrentados pela aquacultura.
Entre esses desafios encontram-se a resiliência dos sistemas produtivos, a sustentabilidade das matérias-primas utilizadas nas rações e a qualidade do produto final.
A validação em mar aberto permitirá comparar o desempenho dos peixes alimentados com as novas formulações em condições produtivas reais, antes de uma eventual aplicação mais alargada no setor.
O projeto assume particular relevância num contexto em que, segundo o comunicado, a aquacultura já assegura metade do peixe consumido a nível mundial e em que cresce a necessidade de tornar a produção nacional menos dependente dos recursos convencionais.
Projeto aposta na valorização de recursos subaproveitados
Uma das principais ambições do Pep4Fish consiste em reduzir a utilização de matérias-primas tradicionais, substituindo-as por ingredientes de elevado valor acrescentado produzidos a partir de recursos subaproveitados.
A estratégia pretende reforçar cadeias de valor circulares e contribuir para uma aquacultura menos dependente de recursos finitos, conciliando a eficiência produtiva com o aproveitamento sustentável de matérias-primas.
“Este projeto permite-nos explorar soluções que reforçam a sustentabilidade da produção e, ao mesmo tempo, promovem o bem-estar animal. Acreditamos que peixes mais robustos e saudáveis se refletem também num produto final de maior qualidade”, acrescenta Pedro Encarnação.
O Pep4Fish reúne nove parceiros empresariais e científicos: AgroGrIN Tech, B2E CoLAB, Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, ITS, Savinor, Sebol, Sorgal e Seaculture.
Ao avançar para os testes em ambiente produtivo, o projeto aproxima-se do objetivo de transformar conhecimento científico e subprodutos em soluções destinadas a uma aquacultura mais sustentável, resiliente e preparada para os desafios futuros.
















