O Auditório Municipal de Olhão recebe, entre 31 de maio e 14 de junho, a exposição “Património em Rede: um peixe, uma comunidade, dois países”, da autoria do fotojornalista Eduardo Martins. A inauguração está marcada para este sábado, às 11:30.
Segundo os organizadores, “esta exposição assume um significado muito especial em Olhão, território intrinsecamente ligado à história da pesca do atum-rabilho”. Nos anos 90, uma empresa japonesa reintroduziu esta prática ancestral na costa algarvia, após um interregno de duas décadas, dando início a uma colaboração ímpar entre as técnicas tradicionais portuguesas e a inovação tecnológica do Japão.

As imagens de Eduardo Martins conduzem o visitante pela trajetória deste emblemático peixe atlântico e pelas comunidades que dele dependem, ilustrando “como o conhecimento local se reinventa num contexto globalizado”, explica a curadoria. Depois de ter passado pelo Museu Marítimo de Ílhavo, a mostra chega agora a um dos principais cenários desta história partilhada.
Entre os destaques está uma fotografia de 1972 retirada do Arquivo do Arraial Ferreira Neto, em Tavira, que documenta o último atum pescado antes da extinção da atividade. A revitalização, em parte motivada por uma visita do então primeiro-ministro Mário Soares ao Japão, atraiu investidores nipónicos que preferiram apostar no Algarve em vez do Tejo.

A técnica desenvolvida conjuga “armações subaquáticas algarvias, redes japonesas e métodos de abate inovadores”, incluindo o uso de uma cana de bambu com bala metálica, que assegura uma morte rápida e reduz o sofrimento animal. Embora a mão-de-obra seja local e bem remunerada, “mais de 80% do atum capturado destina-se ao mercado japonês”, onde atinge valores milionários em leilões de sushi e sashimi.
O ciclo de vida da pesca, desde a captura até ao leilão em Toyosu, é minuciosamente documentado, revelando não só a dimensão económica da atividade, como também o seu impacto cultural e ambiental. “A exposição é uma oportunidade para refletir sobre as transformações e desafios da pesca no mundo contemporâneo”, sublinha a organização.

Para além das imagens, haverá atividades paralelas dirigidas a jovens e famílias, convidando à participação ativa e à descoberta de um património que continua a moldar o imaginário e a economia da região.
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