Há uma cidade no Barlavento algarvio onde a paisagem combina praias de areia dourada, pequenas enseadas e formações rochosas moldadas pelo Atlântico. Lagos foi uma das localidades portuguesas destacadas pela reformada norte-americana Terry Coles num artigo atualizado a 21 de julho, no qual a autora percorre 11 pequenas cidades consideradas pitorescas e acessíveis para viver em Portugal.
Terry Coles conhece a experiência de viver fora dos Estados Unidos em primeira mão. Em 2011, ela e o marido, Clyde, deixaram o Texas para desfrutar de uma reforma antecipada no Panamá. Depois de passarem vários anos a viajar, chegaram a Portugal em 2018 para cuidar temporariamente de uma casa e perceberam que tinham encontrado um país onde gostariam de ficar. Após viverem na Costa de Prata, acabaram por se instalar no Algarve.
O relato foi publicado pela International Living, uma publicação norte-americana especializada em viver, viajar, investir e passar a reforma no estrangeiro. A organização produz conteúdos deste género desde 1979 e conta com uma rede de colaboradores que vivem em diferentes países e partilham experiências e informações sobre destinos para quem considera mudar-se ou passar temporadas fora do seu país de origem.
Lagos destaca-se pelas praias e paisagens junto ao Atlântico
No artigo, a secção dedicada a Lagos recebe um título que poderia ser traduzido como “paisagens marítimas em abundância”. A autora começa por situar a cidade na margem da Ribeira de Bensafrim e recorda a presença da fortaleza do século XVII junto à entrada do porto, antes de dirigir a atenção para aquela que é a principal protagonista da sua descrição: a costa.
A Praia da Batata é um dos primeiros locais referidos. Terry Coles destaca a areia dourada e a localização junto à cidade, salientando ainda que a praia se encontra relativamente protegida das grandes ondas do Atlântico, uma característica que a torna particularmente indicada para famílias.
A proximidade ao centro é confirmada pela Câmara Municipal de Lagos. A Praia da Batata encontra-se a cerca de uma centena de metros do centro histórico, entre o molhe poente da Ribeira de Bensafrim e a Praia dos Estudantes, sendo bastante frequentada precisamente pela facilidade de acesso e pelos recantos abrigados existentes nesta zona da costa.
“Falésias calcárias imponentes” marcam a Ponta da Piedade
É, contudo, quando chega à Ponta da Piedade que a descrição da reformada norte-americana se torna mais visual. Situado a curta distância do centro de Lagos, o promontório é apresentado como um cenário dramático composto por “falésias calcárias imponentes”, pilares rochosos no mar, arcos irregulares e “grutas escondidas”.
As mesmas características fazem da Ponta da Piedade um dos ex-líbris de Lagos. Segundo o município, as rochas de tonalidade dourada foram sendo esculpidas pelo vento e pelas marés ao longo de milhares de anos, formando esculturas naturais, grutas e outras estruturas que podem ser observadas através dos passadiços ou a partir do mar.
O blog Turismo de Portugal também classifica a Ponta da Piedade como uma formação rochosa impressionante, marcada por formas recortadas e grutas escavadas pela erosão. A entidade recomenda a observação da costa a partir de um passeio de barco, que permite aproximar-se das cavidades e das pequenas praias encaixadas entre as rochas.
Há ainda uma alternativa para quem prefere conhecer este cenário por terra. Os passadiços da Ponta da Piedade atravessam uma paisagem onde abundam grutas, túneis e rochedos de diferentes formas, com vários miradouros distribuídos pelo percurso entre a Praia do Pinhão e a zona do Canavial.
Praias de areia dourada completam o cenário
A paisagem destacada no relato não termina na Praia da Batata ou na Ponta da Piedade. A chamada Costa D’Oiro reúne várias pequenas praias encaixadas entre formações rochosas, numa sucessão de areais que começa junto à cidade e se prolonga em direção ao promontório.
Entre elas encontra-se a Praia Dona Ana, situada entre falésias e conhecida pelas águas de tonalidades azuis e verdes. Mais adiante surge a Praia do Camilo, uma pequena praia protegida por falésias recortadas e à qual se chega através de uma escadaria com cerca de 200 degraus.
A dimensão muda completamente do outro lado da cidade. A Meia Praia prolonga-se ao longo da baía por mais de quatro quilómetros, contrastando com as pequenas enseadas rochosas da Costa D’Oiro. O areal encontra-se separado da zona interior por um cordão dunar e constitui uma das praias de maiores dimensões do concelho.
Esta diversidade resume-se através do contraste entre a Meia Praia e os areais mais pequenos da Batata, Pinhão, Dona Ana e Camilo. Nestes últimos, as águas transparentes e as rochas trabalhadas pela erosão formam uma paisagem de grande beleza, enquanto outras pequenas enseadas permanecem mais difíceis de alcançar e algumas só são acessíveis por mar.
Cidade também atrai quem procura viver no Algarve
O artigo atualizado em julho não apresenta Lagos apenas como um local para visitar. A International Living chama a atenção para a presença de uma comunidade internacional e para a existência de serviços considerados importantes para quem pensa viver na cidade, incluindo unidades de saúde públicas e privadas, clínicas, comércio, restaurantes e outras infraestruturas.
A autora refere ainda que Lagos é bastante procurada tanto por residentes estrangeiros como por visitantes, sendo relativamente fácil encontrar pessoas que falam inglês. O Aeroporto de Faro fica, segundo a publicação, a cerca de uma hora de distância, outro fator tido em conta por estrangeiros que pretendem manter ligações frequentes a outros países.
Ainda assim, são as paisagens que dominam a passagem dedicada à cidade. Das areias douradas da Praia da Batata às “falésias calcárias imponentes”, arcos naturais e “grutas escondidas” da Ponta da Piedade, Lagos surge aos olhos da reformada norte-americana como um destino marcado pela proximidade constante entre a cidade e uma das zonas costeiras mais características do Algarve.
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