A segunda parte da 26.ª Mostra de Cinema ao Ar Livre de Tavira decorre entre 6 e 16 de agosto, nos Claustros do Convento do Carmo, com uma programação internacional composta por 11 filmes.
Promovida pelo Cineclube de Tavira, a iniciativa apresenta sessões diárias às 21:30, reunindo obras de ficção, animação e documentário provenientes de vários países e distinguidas em alguns dos mais importantes festivais e prémios internacionais.
A programação inclui filmes realizados por nomes como Paolo Sorrentino, Joachim Trier, Lucrecia Martel, Radu Jude, Sophie Letourneur e Pedro Pinho, abordando temas que vão da memória familiar e da identidade à justiça, ao colonialismo, à música e à resistência das comunidades.
Filmes premiados abrem a segunda parte da mostra
A programação arranca no dia 6 de agosto com “La Misteriosa Mirada del Flamenco”, escrito e realizado por Diego Céspedes. O filme acompanha uma comunidade queer que vive num remoto povoado mineiro do deserto chileno, confrontada com a propagação de uma doença misteriosa e com o aumento do medo e da perseguição.
A obra, que combina drama de crescimento, western e realismo mágico, venceu o prémio de Melhor Filme Ibero-Americano nos Goya de 2026 e o Prémio Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2025.
Segue-se, a 7 de agosto, “La Grazia”, de Paolo Sorrentino, protagonizado por Toni Servillo, Anna Ferzetti e Orlando Cinque. O filme acompanha Mariano De Santis, Presidente da República italiana, na reta final do mandato, quando é chamado a tomar decisões de elevado peso político e moral.
Entre uma lei sobre a eutanásia, dois pedidos de indulto e uma relação complexa com a filha, a personagem enfrenta dilemas que colocam à prova a sua conceção de justiça. Filme de abertura do Festival de Veneza, “La Grazia” foi distinguido, entre outros, com os prémios de Melhor Filme Italiano e Melhor Ator.
No dia 8, será exibido “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, vencedor do Óscar de Melhor Filme Internacional e do Grande Prémio do Festival de Cannes.
A história centra-se nas irmãs Nora e Agnes, que reencontram o pai, um realizador com quem mantêm uma relação distante, depois da morte da mãe. A proposta para que Nora protagonize um filme inspirado na família faz regressar antigas tensões, mas abre também a possibilidade de reconciliação.
“A Pequena Amélie”, de Liane-Cho Han Jin Kuang e Maïlys Vallade, chega ao ecrã no dia 9. A animação adapta a obra de inspiração autobiográfica “A Metafísica dos Tubos”, de Amélie Nothomb, e acompanha os primeiros anos de vida de uma criança nascida no Japão.
Nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação, o filme venceu o Prémio do Público no Festival de Annecy e foi distinguido como Melhor Filme Europeu no Festival de San Sebastián.
A sessão é apresentada na versão original legendada, sendo indicada para crianças que já leem com autonomia.
“Nuestra Tierra”, primeiro documentário de Lucrecia Martel, será exibido no dia 10. A obra parte do homicídio, em 2009, do líder indígena Javier Chocobar, morto quando defendia as terras ancestrais da comunidade Chuschagasta, no norte da Argentina.
A realizadora transforma o processo judicial que se seguiu numa reflexão sobre colonialismo, violência, memória, território e resistência indígena.
No dia 11, a mostra apresenta “Kontinental ’25”, de Radu Jude. A narrativa acompanha uma agente de execução envolvida num despejo que assume contornos inesperados e desencadeia uma crise moral marcada pela culpa e pela responsabilidade.
Distinguido com o Urso de Prata para Melhor Argumento no Festival de Berlim, o filme constrói uma sátira à Europa contemporânea, cruzando burocracia, violência estrutural e humor mordaz.
“Linguagem Universal”, de Matthew Rankin, é a proposta para 12 de agosto. Situado num Canadá imaginado, onde várias histórias se cruzam entre o absurdo, o poético e o quotidiano, o filme explora temas como a comunicação, a pertença e a solidariedade.
A obra, com influências do cinema iraniano, recebeu o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes de 2024.
Música, relações familiares e diálogo entre continentes
A programação prossegue no dia 13 com “L’Aventura”, de Sophie Letourneur, uma comédia sobre uma família que parte de férias para a Sardenha.
Aquilo que deveria ser uma viagem tranquila transforma-se numa sucessão de contratempos, mal-entendidos e situações de caos quotidiano, observados através da perspetiva de Claudine, uma menina de 11 anos que regista a experiência com o telemóvel.
A 14 de agosto, os Claustros do Convento do Carmo recebem “Orlando Pantera”, documentário de Catarina Alves Costa sobre a vida e a obra do músico e compositor cabo-verdiano.
O filme revisita o percurso do artista, que cruzou ritmos tradicionais, como o batuque e a tabanka, com sonoridades contemporâneas, criando uma linguagem musical própria. Através de imagens de arquivo, recriações e interpretações de artistas como Mayra Andrade e Princezito, a obra evidencia a influência de Orlando Pantera na música cabo-verdiana.
O documentário venceu o Prémio do Público e o Prémio IndieMusic no IndieLisboa de 2025.
“Elis & Tom: Só Tinha de Ser com Você”, realizado por Jom Tob Azulay e Roberto de Oliveira, será exibido a 15 de agosto.
A partir das sessões de gravação do álbum “Elis & Tom”, o documentário acompanha o encontro entre Elis Regina e Tom Jobim, em Los Angeles, em 1974, revelando os bastidores da criação de um dos discos mais emblemáticos da música brasileira.
Com imagens de arquivo inéditas, a obra celebra a colaboração entre duas figuras maiores da música popular brasileira e venceu o Prémio do Público no Festival de San Sebastián.
A mostra encerra no dia 16 com “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, protagonizado por Sérgio Coragem, Cleo Diára e Jonathan Guilherme.
O filme acompanha Sérgio, um engenheiro ambiental que viaja para uma cidade da África Ocidental para trabalhar num projeto rodoviário desenvolvido por uma organização não-governamental.
Com uma abordagem simultaneamente íntima e política, a obra reflete sobre as relações contemporâneas entre a Europa e África. “O Riso e a Faca” venceu o prémio de Melhor Atriz na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, a Louve d’Or para Melhor Filme em Montréal e o prémio de Melhor Filme em Valladolid.
Os bilhetes podem ser adquiridos aqui.
A Mostra de Cinema ao Ar Livre conta com o apoio da Câmara Municipal de Tavira, do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, da Europa Cinemas e de parceiros locais.
Programa
6 de agosto | 21:30
“La Misteriosa Mirada del Flamenco”, de Diego Céspedes
7 de agosto | 21:30
“La Grazia”, de Paolo Sorrentino
8 de agosto | 21:30
“Valor Sentimental”, de Joachim Trier
9 de agosto | 21:30
“A Pequena Amélie”, de Liane-Cho Han Jin Kuang e Maïlys Vallade
10 de agosto | 21:30
“Nuestra Tierra”, de Lucrecia Martel
11 de agosto | 21:30
“Kontinental ’25”, de Radu Jude
12 de agosto | 21:30
“Linguagem Universal”, de Matthew Rankin
13 de agosto | 21:30
“L’Aventura”, de Sophie Letourneur
14 de agosto | 21:30
“Orlando Pantera”, de Catarina Alves Costa
15 de agosto | 21:30
“Elis & Tom: Só Tinha de Ser com Você”, de Jom Tob Azulay e Roberto de Oliveira
16 de agosto | 21:30
“O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho















