Viajar de avião durante os meses de maior procura pode significar enfrentar atrasos, filas e alterações inesperadas. Agora, a Ryanair voltou a lançar críticas à gestão do tráfego aéreo em Espanha e colocou um dos aeroportos do país entre aqueles onde considera existirem problemas particularmente preocupantes.
A companhia aérea irlandesa pediu mesmo ao Governo espanhol uma intervenção «urgente», alegando que os problemas relacionados com capacidade e controlo de tráfego aéreo estão a provocar atrasos em milhares de voos.
De acordo com o portal ABC Sevilla, no centro das críticas encontram-se três importantes centros de controlo espanhóis, responsáveis por gerir o tráfego de milhões de passageiros e que, segundo a transportadora, apresentam alguns dos piores desempenhos da Europa.
Ryanair aponta problemas em Madrid, Barcelona e Sevilha
Segundo avançou o jornal espanhol ABC, a Ryanair identificou problemas nos centros de controlo de Madrid, Barcelona e Sevilha, defendendo que a falta de pessoal e o planeamento insuficiente estão a contribuir para os atrasos.
De acordo com os números apresentados pela companhia, estes três centros terão estado associados ao atraso de mais de 15.700 voos desde o início do ano, afetando perto de seis milhões de passageiros.
A transportadora considera que o crescimento do tráfego aéreo durante o verão era previsível e entende que deveriam ter sido tomadas medidas suficientes para responder ao aumento da procura.
Este aeroporto espanhol está entre os mais visados
Entre os casos destacados encontra-se o Aeroporto de Sevilha, também conhecido como Aeroporto de San Pablo, que tem registado um forte crescimento do número de passageiros e operações.
Só em julho, o número de passageiros aumentou 8,9% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto o número de voos cresceu cerca de 6%, alcançando aproximadamente 6.200 operações.
Desde o início do ano, o aeroporto já recebeu mais de 6 milhões de passageiros, representando um crescimento de 9,7% face ao mesmo período de 2025.
Aeroporto aproxima-se do limite de capacidade
O crescimento coloca também pressão sobre as infraestruturas. Em 2025, passaram pelo aeroporto de Sevilha cerca de 9,7 milhões de passageiros, deixando-o próximo da capacidade indicada de aproximadamente 10 milhões.
Apesar disso, o investimento previsto para Sevilha é substancialmente inferior ao destinado aos dois maiores aeroportos espanhóis.
Madrid e Barcelona deverão receber, em conjunto, milhares de milhões de euros para projetos de expansão, enquanto para Sevilha estão previstos cerca de 235 milhões de euros.
Ryanair critica falta de capacidade
Outra das questões levantadas prende-se com o horário de funcionamento. Ao contrário dos oito aeroportos espanhóis que movimentam mais passageiros, o aeroporto de Sevilha não funciona durante 24 horas por dia.
Outros aeroportos com menos passageiros, como Ibiza, Santiago de Compostela e Girona, dispõem igualmente de funcionamento permanente.
A ampliação do horário é, por isso, apontada como uma das possibilidades para aumentar a capacidade operacional de San Pablo numa altura em que o número de passageiros continua a crescer.
Ryanair já tinha reduzido rotas em Espanha
As novas críticas surgem num período de tensão entre a Ryanair e o setor aeroportuário espanhol. A companhia tem contestado o aumento das taxas aeroportuárias e chegou a responder com cortes em várias bases e ligações regionais.
No caso de Sevilha, a transportadora perdeu sete rotas durante este verão, apesar de continuar a ter um peso considerável na atividade do aeroporto.
Segundo os dados avançados pelo ABC, a Ryanair é responsável por aproximadamente 40% das ligações operadas em San Pablo.
Gestora rejeita cenário apresentado pela companhia
A avaliação da Ryanair, contudo, é contestada pela entidade responsável pela gestão da navegação aérea espanhola.
A Enaire afirma que os atrasos associados à gestão do tráfego aéreo diminuíram 20% em julho, apesar do crescimento significativo do número de operações em Espanha.
No centro de controlo de Sevilha, responsável por uma grande parte do espaço aéreo do sul de Espanha, terão sido geridas cerca de 382 mil operações entre 1 de janeiro e 20 de agosto, mais 6% do que no período comparável.
A entidade sustenta ainda que os atrasos naquele centro diminuíram 29,8%, apresentando assim números diferentes da leitura feita pela Ryanair.
Companhia pede medidas para o resto do verão
Apesar da resposta da gestora, a Ryanair insiste que as medidas adotadas até agora não são suficientes e defende uma intervenção rápida para evitar novos constrangimentos.
A transportadora argumenta que, caso o plano implementado estivesse a produzir os resultados esperados, os atrasos deveriam estar a diminuir de forma mais evidente.
Para os portugueses que utilizam aeroportos espanhóis, nomeadamente quem viaja através de Sevilha devido à proximidade com o Algarve, o braço de ferro ganha particular relevância numa altura em que o tráfego aéreo continua elevado e o aeroporto se aproxima dos seus limites de capacidade.
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