É um dos percursos pedestres mais conhecidos do Algarve e atrai milhares de visitantes pelas arribas, praias e vistas sobre o mar. Mas o trilho dos Sete Vales Suspensos, no concelho de Lagoa, está a preocupar empresas turísticas e guias, que alertam para sinais de degradação e pedem uma intervenção urgente.
De acordo com o Público, o alerta foi feito por um conjunto de empresas de animação turística e guias independentes, que defendem a criação de um plano integrado de gestão para o percurso. Segundo os signatários, o aumento da procura internacional não foi acompanhado por medidas capazes de garantir segurança, conservação ambiental e ordenamento.
Sobrelotação e uso desordenado
Entre os problemas apontados estão a sobrelotação dos trilhos, a circulação desordenada, incluindo bicicletas e cavalos, estacionamento caótico, acampamento ilegal e comportamentos de risco junto às arribas e algares.
As empresas denunciam ainda a degradação da vegetação, erosão dos solos, acumulação de lixo, presença de dejetos humanos e falta de infraestruturas de apoio, como instalações sanitárias. Para quem trabalha diariamente no terreno, estes sinais mostram que o percurso precisa de uma gestão mais próxima.
Um cartão-postal do Algarve
O percurso dos Sete Vales Suspensos é um dos principais cartões-postais naturais do Algarve. Liga a zona da Praia da Marinha à Praia de Vale Centeanes, no concelho de Lagoa, ao longo de cerca de 5,7 quilómetros, sempre junto à arriba costeira.
O trilho passa por paisagens muito procuradas por turistas, fotógrafos, caminhantes e operadores turísticos. A fama internacional trouxe mais visitantes, mas também maior pressão sobre um território sensível.
Risco para pessoas e património
O alerta das empresas não se limita à imagem turística. Em causa está também a segurança dos visitantes, sobretudo em zonas próximas de arribas, algares e pontos onde muitas pessoas se aproximam para tirar fotografias.
Os signatários consideram que a ausência de gestão está a colocar em risco pessoas, património natural e a própria imagem do Algarve. A preocupação aumenta durante o verão, quando a procura cresce e muitos visitantes percorrem o trilho sem conhecer os riscos do terreno.
Guias sem qualificação também preocupam
Outro dos pontos referidos é a presença de comportamentos de risco associados, em alguns casos, a guias sem qualificação para o efeito. Para as empresas de animação turística, esta situação pode aumentar a exposição dos visitantes a zonas perigosas.
A atividade turística em espaços naturais exige conhecimento do terreno, respeito pelas regras de segurança e capacidade para orientar grupos em áreas sensíveis. Sem esse acompanhamento adequado, o risco de acidentes e de danos ambientais aumenta.
Lixo e falta de casas de banho
A acumulação de lixo e a falta de instalações sanitárias são outros problemas destacados. Num percurso cada vez mais procurado, a ausência de infraestruturas básicas cria pressão adicional sobre o espaço natural.
Além do impacto visual, o lixo e os dejetos humanos podem afetar a experiência dos visitantes e a conservação do ecossistema. Para os operadores, este é um dos sinais mais evidentes de que o trilho está a ser usado acima da sua capacidade sem resposta suficiente.
Erosão ameaça o percurso
A erosão dos solos é uma das consequências da passagem constante de visitantes, sobretudo quando estes saem do trilho oficial ou criam caminhos alternativos. Em zonas de arriba, esse comportamento pode ser particularmente perigoso.
Além de acelerar a degradação do percurso, a circulação fora das áreas sinalizadas pode fragilizar zonas sensíveis e aumentar o risco de quedas. Por isso, as empresas defendem um modelo de gestão que organize melhor os fluxos e proteja o património natural.
Pedido de plano integrado
As empresas e guias pedem um plano integrado de gestão para os Sete Vales Suspensos. A ideia é que o percurso tenha regras claras, fiscalização, infraestruturas adequadas e medidas de conservação compatíveis com a pressão turística.
O objetivo não é afastar visitantes, mas garantir que o trilho continua a ser visitável sem perder valor ambiental. Para o Algarve, manter este equilíbrio é essencial, sobretudo num destino que depende fortemente da imagem de natureza, praias e paisagens costeiras.
Trânsito e estacionamento agravam pressão
O estacionamento caótico é outro problema apontado no alerta. Em dias de maior procura, o acesso às zonas próximas do percurso pode tornar-se desordenado, afetando residentes, visitantes e operadores turísticos.
A pressão não se sente apenas no trilho, mas também nos acessos, parques e zonas envolventes. Sem organização, a experiência turística piora e o território sofre maior desgaste.
Um aviso antes que seja tarde
O caso dos Sete Vales Suspensos mostra o desafio de gerir locais naturais que se tornam famosos. A promoção turística pode trazer visitantes e rendimento, mas também exige planeamento, manutenção e limites claros.
Para as empresas que lançaram o alerta, a degradação já é visível e a resposta deve chegar antes de o problema se tornar mais difícil de resolver. O trilho continua a ser um dos mais belos do Algarve, mas a sua preservação depende agora de gestão, fiscalização e respeito por um espaço natural cada vez mais procurado.
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