Um homem procurado internacionalmente pela Interpol esteve durante cerca de dois anos a viver no Algarve, sem levantar suspeitas, até ser localizado numa das ilhas da Ria Formosa. O caso envolve Natalio Grueso, escritor espanhol e antigo responsável por uma instituição cultural de referência em Espanha, que tinha uma condenação pesada pendente e estava em fuga às autoridades desde que a sentença transitou em julgado.
De acordo com o jornal Correio da Manhã, Natalio Grueso foi encontrado na Ilha da Culatra, em Faro, enquanto se encontrava numa esplanada a beber vinho branco. O ex-dirigente cultural espanhol levava uma vida simples naquela comunidade piscatória, onde residia há algum tempo e que chegou a mencionar em obras literárias da sua autoria.
Segundo a mesma fonte, o homem era conhecido no meio cultural espanhol e afirmava manter relações pessoais com figuras internacionais do cinema, como o realizador Woody Allen e o actor Kevin Spacey, referências que constavam do seu discurso público antes de desaparecer do radar judicial.
A operação que levou à detenção
Escreve a publicação que a localização do fugitivo resultou de uma ação discreta das autoridades espanholas, com agentes da Guardia Civil à paisana a confirmarem a identidade do suspeito antes de alertarem as autoridades portuguesas. A detenção formal acabou por ser efetuada por elementos da Diretoria do Sul da Polícia Judiciária.
Confrontado pelos inspetores, o homem não tinha documentos de identificação consigo e negou inicialmente ser a pessoa procurada. Essa tentativa não convenceu os investigadores, que avançaram para a detenção com base na informação recolhida e nos mandados internacionais em vigor.
Sentença e fuga
Segundo o Notícias ao Minuto, o conjunto dos factos apurados levou à condenação de Natalio Grueso a uma pena de oito anos de prisão. Após a decisão judicial, o antigo dirigente cultural deixou Espanha e permaneceu em parte incerta, passando a constar das listas de procurados internacionais.
Durante esse período, explica o site, as autoridades espanholas mantiveram ativa a cooperação com outros países europeus, incluindo Portugal, no âmbito dos mecanismos de busca e detenção de cidadãos condenados por crimes económicos.

Audição judicial em Portugal
Após a detenção no Algarve, Natalio Grueso foi presente a um juiz do Tribunal da Relação de Évora. Segundo o Correio da Manhã, durante a audição judicial o detido aceitou ser extraditado para Espanha, abrindo caminho a um processo célere de entrega às autoridades espanholas.
A extradição deverá ocorrer nos dias seguintes à decisão judicial portuguesa, permitindo o cumprimento da pena de prisão aplicada no país de origem, onde o processo já se encontra definitivamente encerrado.
Um caso acompanhado à distância
Note que o detido tem nacionalidade estrangeira e que o processo foi acompanhado pelas autoridades portuguesas em articulação com Espanha, respeitando os mecanismos legais de cooperação judiciária internacional.
A detenção encerra um período de fuga que durou cerca de dois anos e revela como um condenado por crimes financeiros conseguiu permanecer integrado numa comunidade local sem despertar alertas, até à intervenção coordenada das autoridades.
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