Um total de 28 autores de 14 países vai participar no Festival Literário Internacional “Entre Mares”, entre os dias 11 e 14 de junho, em Portimão, no distrito de Faro, foi esta segunda-feira anunciado.
A iniciativa vai decorrer em vários espaços da cidade, pretendendo ser um espaço de reflexão sobre questões contemporâneas através da literatura, promovendo o diálogo entre culturas, indicou a Câmara de Portimão em comunicado.
Ao mesmo tempo, o evento, que inclui mesas temáticas, momentos de leitura e passeios literários, assume-se como uma celebração plural da poesia, numa atmosfera de partilha e intercâmbio artístico, refere.
Organizado pelo Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA), o Entre Mares “será uma oportunidade para homenagear a título póstumo o poeta Nuno Júdice”, natural da freguesia da Mexilhoeira Grande, cujos títulos dos seus livros inspiram o festival, conclui o município.
Apresentação de livro de Rodrigo Carlos Guedes sobre a descolonização
Rodrigo Carlos Guedes regressa a Portimão, cidade onde viveu durante cerca de quatro décadas, para apresentar o seu mais recente livro, intitulado “Eu, fugitivo me confesso… – Memórias da Descolonização”. A sessão terá lugar no Clube União Portimonense, no próximo dia 31 de maio, às 16:00, contando com a apresentação de Nuno Campos Inácio.
Esta obra, de carácter profundamente testemunhal, assume-se como um contributo histórico para a compreensão do processo de descolonização, a partir da perspetiva de um moçambicano de origem portuguesa. O autor recusa a designação de “retornado”, sublinhando que sente Moçambique não apenas como terra natal, mas como Pátria-Nação.
Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento na publicação de memórias de portugueses que estiveram em África em contexto de guerra, missão pública ou empresarial. No entanto, continuam a ser raros os relatos de quem, nascido em solo africano, descendente de portugueses, foi forçado a abandonar o país após a independência, em muitos casos devido à sua cor de pele. Rodrigo Guedes dá voz a esses sentimentos e vivências, relatando em primeira pessoa traumas e deslocações que importa compreender e debater, sobretudo num tempo em que voltam a surgir discursos em torno de deportações e exclusões.

O livro é enriquecido com dois prefácios assinados pelo tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, e por António Barreiros. Integra ainda diversos testemunhos sobre a vida e obra do autor, assinados por Ana Lisboa, António Loureiro, Carlos Estanislau, Constantino Almeida, Dário Bettencourt, Dina Duarte, Fátima Silva, Henrik Éleot, João Maria Lemos Mexia, João Silva, Júlio Teixeira Pinto, Lúcia Gomes, Manuel Franque, Mila Guedes, Nuno Campos Inácio, Paulo Vigário, Pedro Manuel Pereira, Remédios Evangelista, Yasmine Eduardo Silva, bem como pela filha e pelo neto do autor.
Rodrigo Carlos Guedes nasceu a 26 de março de 1951 em Vila Pery, Moçambique. Viveu em África até 1978, ano em que se fixou no Algarve, concretamente em Portimão. Com cerca de 20 anos, iniciou colaboração com a Rádio Moçambique e, mesmo após a independência do país, acreditou que seria possível continuar a viver na sua terra. Refugiou-se na Rodésia, onde trabalhou para o gabinete do Primeiro-Ministro, e viria mais tarde a combater em Angola, já após o 25 de Abril. Regressou temporariamente a Moçambique, onde esteve entre os fundadores da RENAMO.
Em 1978 decidiu instalar-se em Portugal, na região onde tinha raízes familiares, repartidas entre o Algarve, o Alentejo, as Beiras e Trás-os-Montes. Homem de convicções e causas, foi diretor-adjunto do Jornal de Quarteira, integrou a direção da Real Associação do Algarve e presidiu ao Lions Club de Portimão.
Virgílio Machado apresenta primeiro romance de ficção
A Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, será o palco da apresentação do livro “O Voo da Águia”, o primeiro romance de ficção da autoria de Virgílio Machado, que terá lugar no próximo dia 5 de junho, às 21:00.
A sessão insere-se na conferência “Animismo e Clubismo Português – uma identidade”, conduzida pelo próprio autor, e contará com a apresentação de João Santana. O evento é de entrada livre e dirige-se a todos os interessados em literatura, identidade cultural e dinâmicas simbólicas no desporto e na sociedade portuguesa.
Virgílio Machado é doutorado em Turismo e professor adjunto na Universidade do Algarve, com “O Voo da Águia”, estreia-se na ficção, explorando temas como o simbolismo animal, o clubismo desportivo e a construção da identidade em Portugal.
A obra promete provocar reflexão sobre a forma como os símbolos culturais e desportivos influenciam o sentimento de pertença e a visão do mundo.
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