Um projeto de inclusão de pessoas com deficiência, denominado “Estafeta das Possibilidades”, pretende juntar cinco mil participantes numa ligação entre Faro, Porto e Lisboa, nos dias 19 e 20 de setembro, anunciou hoje a organização.
A estafeta solidária é promovida em conjunto pela Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência (ADRA), pela Associação Internacional de Temperança e pela Juventude Adventista.
Em declarações à Lusa, a presidente da ADRA, Carmen Maciel, explicou que a iniciativa integra a “campanha nacional de inclusão de pessoas com deficiência que decorre entre janeiro de 2026 e igual mês de 2027”.
A organização encontra-se atualmente em contactos com autarquias e com a PSP para definir os locais de passagem da corrida. No Porto, a partida está prevista para a Câmara Municipal, com o presidente da autarquia, Pedro Duarte, a realizar o primeiro percurso até Vila Nova de Gaia, onde passará o testemunho ao presidente daquele município, Luís Filipe Menezes.
Participantes podem fazer percurso a pé, a correr ou de bicicleta
Em Faro, a saída será do Jardim Manuel Bivar, revelou a coorganizadora, indicando que a estafeta terminará, em Lisboa, na Alameda D. Afonso Henriques. O último percurso começará no Cais do Sodré, após travessia do rio Tejo, a partir do Seixal, de barco.
“A ideia é que cada um, na distância que puder cumprir, participe na estafeta, seja a pé, a caminhar, a correr ou bicicleta”, disse Carmen Maciel.
Entre os esperados cinco mil participantes, acrescentou a responsável da associação, deverão estar 150 atletas, com ou sem deficiência, que cumprirão um percurso que atravessará várias capitais de distrito e a zona litoral.
A ultramaratonista portuguesa Andreia Vicente já confirmou a sua participação, anunciou a organização.
Estafeta quer combater estereótipos e promover direitos
Com este projeto, sublinhou, pretende-se “aumentar a consciência pública sobre direitos e capacidades das pessoas com deficiência, combatendo estereótipos, usando o termo estafeta como uma metáfora em que a responsabilidade social passe de mão em mão”.
Na informação enviada à Lusa e citando os indicadores de direito humanos 2024, a organização assinala que a taxa de desemprego entre esta comunidade é de 14,7% contra 9,1% no resto da população, números que crescem para os 21,4% contra 5,9% quando se trata da taxa de abandono escolar.
Quanto ao risco de pobreza, cifra-se nos 21,2%, mesmo após as transferências sociais, frisa a organização, que termina a análise indicando, sobre o investimento público, ser de 1,58% do Produto Interno Bruto para proteção social da deficiência, abaixo do 1,87% verificado na União Europeia.
A participação é grátis.
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