Monchique registou, na última semana, dezenas de deslizamentos e movimentações de massas que obrigaram ao corte e condicionamento de várias estradas, entre as quais a Estrada Nacional (EN) 266, que liga o concelho a Portimão, revelou o presidente da Câmara.
Em declarações à agência Lusa, Paulo Alves indicou que o Serviço Municipal de Proteção Civil contabilizou, desde o dia 04, “aproximadamente 150 ocorrências de diversos tipos, mas principalmente movimentação de massas, aluimentos, quedas de árvores e outros”.
EN266 com fortes condicionamentos
Entre as vias mais afetadas está a EN266, que se encontra “condicionada em vários troços, mas principalmente na zona entre as Caldas de Monchique e a entrada da vila”, onde a circulação decorre de forma alternada, com recurso a semáforos.
“Depois temos a EN266, a mesma estrada, completamente cortada entre o concelho de Monchique e o concelho de Odemira, na zona entre Monchique e Saboia, temos a estrada que liga Monchique ao Alferce, pelo lado sul da Picota, também completamente cortada sem previsões para abrir”, acrescentou o autarca.
Levantamento técnico antes da reabertura
Paulo Alves alertou que não será possível “solucionar para já” as limitações, uma vez que é necessário realizar um levantamento técnico para identificar os problemas concretos e proceder posteriormente à reabilitação, trabalho que só poderá avançar após a estabilização das condições meteorológicas.
As ocorrências não provocaram vítimas, mas obrigaram os serviços municipais, o Serviço Municipal de Proteção Civil e os Bombeiros Voluntários de Monchique a intervir de forma “inexcedível”, juntamente com sapadores florestais, empresas de comunicação e gestoras de redes viárias, para “não ter pessoas isoladas”, sublinhou.
“Pontualmente tem havido algumas habitações que têm ficado momentaneamente isoladas, mas temos conseguido responder”, assegurou o autarca, indicando que os casos se verificaram sobretudo na “zona norte do concelho”, nas áreas da Perna da Negra, Foz do Carvalhoso e na zona de fronteira com o concelho de Odemira.
Impacto na hotelaria e níveis de precipitação recorde
Os danos materiais provocados pelo mau tempo têm impacto, nomeadamente, na hotelaria, revelou também o presidente da Câmara, adiantando que os hotéis da Vila Termal de Monchique “cancelaram as reservas que tinham” por enfrentarem igualmente “problemas a diversos níveis”.
Segundo Paulo Alves, Monchique foi o concelho do país “onde mais choveu” no dia 04 de fevereiro, de acordo com dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com “níveis de precipitação de 92,8 litros por metro quadrado”.
Entre 26 de janeiro e 04 de fevereiro registaram-se 290 litros por metro quadrado, sendo este o “concelho do país onde a precipitação mais subiu em relação à média normal para estes meses”, com uma subida de “mais de 400% em relação àquilo que é o normal de precipitação para estes meses”, salientou.
No conjunto do país, dezasseis pessoas morreram na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram ainda centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o encerramento de estradas, escolas e transportes, bem como cortes de energia, água e comunicações, além de inundações e cheias, figuram entre as principais consequências materiais do temporal.
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