O Centro Cultural de Lagos recebe, entre 18 de julho e 26 de setembro, a exposição coletiva Core Cuore, uma mostra que prolonga no Algarve o espírito experimental do Festival Verão Azul e propõe uma reflexão sobre a experiência humana na era digital.
Com inauguração marcada para sábado, dia 18 de julho, às 17:30, a exposição afirma-se como um novo capítulo do universo artístico desenvolvido pelo o Festival Verão Azul, surgindo como um desdobramento da sua 12.ª edição, realizada no ano passado.
Com curadoria da dupla de artistas e curadores Ana Borralho & João Galante, Core Cuore reúne artistas internacionais cujas práticas atravessam “a imagem, o som, a performance e as culturas digitais contemporâneas”, refere a organização.
Hiperconectividade e excesso digital em debate
Segundo o comunicado, a mostra transporta para o espaço expositivo as inquietações que marcaram o Festival Verão Azul, apresentado como um laboratório de experimentação em torno das artes performativas, sonoras e visuais. Em Lagos, a exposição propõe pensar “os modos de sentir, percecionar e habitar um mundo marcado pela hiperconectividade, pela sobrecarga informativa e pela mediação tecnológica”.
O título estabelece um jogo entre “core” – centro, essência – e “cuore”, coração em italiano, sugerindo um encontro entre pensamento crítico e experiência emocional. Inspirada pela estética digital conhecida como corecore, a exposição explora a fragmentação, a sobreposição e a colisão de imagens, sons e narrativas que caracterizam a cultura contemporânea.
A mostra reúne obras de Andy Thomas, Jordan Stone, Molly Soda, John Rising e Noper, artistas que investigam, a partir de diferentes perspetivas, as transformações da experiência humana na era digital.
Entre instalações imersivas, colagens audiovisuais, vídeos, ambientes sonoros e narrativas híbridas, são convocados temas como a alienação, a nostalgia, a intimidade mediada pelas redes sociais, a memória coletiva e os novos imaginários produzidos pela internet.
Artistas internacionais no Centro Cultural de Lagos
Andy Thomas, da Austrália, apresenta universos onde som e imagem se fundem, transformando vocalizações da natureza em experiências visuais entre o orgânico e o tecnológico. Jordan Stone, dos Estados Unidos, explora a linguagem cinematográfica contemporânea através de referências à cultura digital e à estética publicitária.
Também dos Estados Unidos, Molly Soda investiga a performatividade da identidade online e os códigos afetivos das redes sociais, enquanto John Rising, do Reino Unido, trabalha a lógica do corecore através de montagens audiovisuais que refletem a fragmentação do presente. Noper, igualmente dos Estados Unidos, constrói atmosferas “simultaneamente oníricas e inquietantes”, onde memória, repetição e nostalgia se cruzam.
Mais do que apresentar respostas, Core Cuore propõe, segundo a organização, “um espaço de ressonância e reflexão”, convidando o público a navegar entre diferentes camadas de significado e a confrontar-se com as contradições de uma sociedade “simultaneamente hiperconectada e profundamente desconectada”.
A exposição é um projeto comissionado pelo Festival Verão Azul/casaBranca, numa produção conjunta da casaBranca e CML/CCL, com apoio institucional do Turismo do Algarve e apoio para estadias do Wot Lagos Montemar Soul. A entrada é livre.
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