Centenas de condutores espanhóis continuam a deter-se junto a um conjunto de máquinas de portagem instaladas na fronteira sul de Portugal, acreditando estarem a cumprir um procedimento obrigatório para seguir viagem. A prática, herdada de anos anteriores, está a levar muitos a registar os seus veículos num sistema de cobrança eletrónica sem qualquer necessidade para circular naquela via específica.
De acordo com o jornal Huelva 24, o cenário repete-se no acesso à A22, também conhecida como Via do Infante, que desde 1 de janeiro de 2025 deixou de ter custos para os utilizadores. As máquinas que a mesma fonte apelida de portagem ‘zombie’ pertencem ao sistema easytoll, que associa a matrícula de veículos de matrícula estrangeira a cartões bancários, permitindo o pagamento automático em autoestradas portuguesas onde a cobrança ainda existe.
Esclarecimento oficial
A Infraestruturas de Portugal, empresa pública responsável pela rede viária, esclareceu que não é cobrado qualquer valor pela utilização da A22 desde o início do ano. O sistema easytoll permanece apenas para adesão voluntária, no caso de os condutores pretenderem circular noutras autoestradas com portagem.
Escreve o jornal que as filas que se continuam a formar junto a estas máquinas ao longo do ano já foram várias vezes tema de debate político em Espanha. O grupo parlamentar do Partido Socialista questionou o governo sobre uma alegada “cobrança indevida” nesta via, mas o Executivo português negou a acusação.
Mudança legislativa
Acrescenta a publicação que a abolição de portagens na Via do Infante e noutras antigas SCUT resultou da entrada em vigor da Lei n.º 37/2024, a 1 de janeiro. A medida abrange também a A4, A13, A13-1, A23, A24, A25 e alguns troços da A28, encerrando um ciclo de cerca de 14 anos de protestos contra a cobrança nestas infraestruturas.
Refere a mesma fonte que a A22 é uma das principais portas de entrada de visitantes vindos da Andaluzia para o Algarve, atravessando a região até Lagos.
Pedido para remover equipamentos
Explica o Huelva 24 que a Comissão de Utilizadores da Via do Infante defende a retirada de todos os pórticos e equipamentos de cobrança que permanecem no local, para evitar uma eventual reintrodução de portagens. Conforme a mesma fonte, a manutenção destes dispositivos contribui para a confusão de condutores estrangeiros, levando-os a efetuar registos desnecessários e a pagar portagens noutras vias sem o perceberem.
Acrescenta ainda que, até ao momento, não existe um calendário oficial para a remoção destas estruturas, ficando a decisão dependente de orientações futuras do governo e da disponibilidade orçamental para executar os trabalhos.
Leia também: “Não se consegue estar”: esta praia no Algarve desilude turista apesar de ser das “mais bonitas”
















