Alexandre Guedes da Silva, membro da Comissão Política Distrital do CDS-PP Algarve, contesta a existência de negociações avançadas para entregar a gestão da Unidade Local de Saúde do Algarve à União das Misericórdias Portuguesas e acusa diferentes intervenientes de terem transformado uma informação não confirmada numa aparente decisão política.
Num comunicado intitulado “A saúde do Algarve merece verdade, não boatos”, o dirigente centrista afirma que a polémica teve origem numa notícia da CNN Portugal que, na sua interpretação, foi “truncada, ampliada e redirecionada para a ULS Algarve” por um comunicado do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e posteriormente reproduzida por órgãos de comunicação social e estruturas partidárias.
De acordo com Alexandre Guedes da Silva, o CDS-PP Algarve obteve informações junto de uma fonte que classifica como credível do Ministério da Saúde, segundo as quais “não existe qualquer decisão tomada, nem qualquer processo de negociação nos termos descritos”.
“A alegação central sobre a qual se construiu toda a polémica é falsa”, sustenta o responsável, atribuindo a disseminação da narrativa à repetição de informações que, no seu entender, não foram devidamente confirmadas.
O dirigente considera que o episódio demonstra “a ligeireza com que, na atual praça pública, uma hipótese não confirmada se transforma em facto consumado” e critica o Bloco de Esquerda por ter apresentado como praticamente certa uma decisão governamental e construído uma posição política a partir desse pressuposto.
Região enfrenta problemas estruturais que exigem reformas
Para Alexandre Guedes da Silva, a discussão em torno da alegada mudança de gestão desvia a atenção dos problemas concretos enfrentados pelo setor da saúde na região.
“A segunda razão é ainda mais importante – o Algarve tem problemas reais na saúde e não pode perder tempo a discutir fantasmas”, afirma.
O membro da Comissão Política Distrital do CDS-PP identifica como principais dificuldades a falta de profissionais, a elevada pressão assistencial, o envelhecimento da população, a sazonalidade turística, as desigualdades entre o litoral e o interior e a dependência excessiva da resposta hospitalar.
“São desafios que exigem reformas sérias e não campanhas de desinformação”, acrescenta.
O dirigente defende, contudo, que a discussão sobre modelos de gestão não deve ser condicionada por posições ideológicas. Segundo Alexandre Guedes da Silva, a doutrina democrata-cristã estabelece que o critério determinante deve ser a qualidade do serviço prestado e não a natureza jurídica da entidade responsável.
“O Estado tem o dever indeclinável de garantir o acesso universal, equitativo e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde”, sublinha, admitindo que esse objetivo possa, em determinadas circunstâncias, ser concretizado através de parcerias com os setores social ou privado.
Essas soluções devem, no entanto, assegurar “transparência, controlo público, responsabilização pelos resultados e inequívoca defesa do interesse dos utentes”, acrescenta.
“O princípio da subsidiariedade ensina precisamente isso: o importante não é quem presta o serviço, mas quem melhor consegue servir a pessoa humana, preservando o bem comum”, argumenta.
CDS-PP rejeita soluções determinadas por “dogmas” ideológicos
Alexandre Guedes da Silva rejeita duas posições que classifica como extremistas: a interpretação de qualquer colaboração entre o Estado e o setor social como uma destruição do Serviço Nacional de Saúde e a aceitação de mudanças na gestão sem demonstração de benefícios.
“O Algarve precisa de menos dogmas e de mais avaliação baseada em resultados”, sustenta.
O responsável considera que, caso algum Governo venha a propor um novo modelo de gestão para a ULS Algarve, a discussão deverá ser pública, transparente e baseada em evidência.
Na sua perspetiva, a população deve conhecer os objetivos, indicadores de desempenho, mecanismos de fiscalização e garantias de preservação da universalidade do Serviço Nacional de Saúde. “O que não podem aceitar é discutir soluções que nem sequer existem”, afirma.
“A saúde dos algarvios merece um debate sério. Merece menos alarmismo e mais responsabilidade. Merece menos propaganda e mais verdade”, defende o membro da Comissão Política Distrital do CDS-PP Algarve.
Alexandre Guedes da Silva considera ainda necessário reforçar os cuidados de proximidade, melhorar a articulação entre hospitais, cuidados de saúde primários, cuidados continuados e setor social, valorizar os profissionais e colocar os utentes no centro do sistema.
“Porque um sistema de saúde não melhora com rumores, melhora com reformas. Não evolui através do medo, mas através da coragem política para corrigir aquilo que há muito sabemos estar errado: reforçar os cuidados de proximidade, integrar hospitais, cuidados primários, cuidados continuados e setor social, valorizar os profissionais e colocar finalmente a pessoa no centro do sistema”, afirma.
“O Algarve não precisa de polémicas fabricadas. Precisa de soluções concretas. E essas continuarão a exigir diálogo, inovação e sentido de Estado – nunca a amplificação de uma mentira transformada em notícia”, conclui.
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