O número de registos de mutilação genital feminina (MGF) em Portugal aumentou 15% em 2025, atingindo um total de 292 situações, anunciou esta terça-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS). A entidade atribui esta subida à maior sensibilização dos profissionais de saúde.
De acordo com o boletim divulgado esta terça-feira, os registos passaram de 254, em 2024, para 292, em 2025. O valor fica muito acima dos 60 casos assinalados em 2017, o número mais baixo registado na última década.
A DGS recorda que a mutilação genital feminina é internacionalmente reconhecida como uma violação dos direitos humanos e que, enquanto forma de violência de género, integra um “conjunto de práticas nefastas que ainda persistem na atualidade”. A problemática é abrangida por vários compromissos nacionais e internacionais, entre os quais a Convenção de Istambul, ratificada por Portugal.
Segundo a direção-geral, o aumento progressivo dos registos na plataforma Registo de Saúde Eletrónico – Área do Profissional, observado ao longo da última década, “reflete a crescente sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde” para identificar e assinalar estas situações, não significando necessariamente que a prática tenha aumentado.
Nenhum caso foi realizado em Portugal em 2025
Em 2025, não foi registado qualquer caso de MGF realizada em Portugal, assegura ainda a DGS, adiantando que a maioria das situações foi identificada no âmbito da vigilância da gravidez, do parto e do puerpério, o que reforça a “importância destes contactos com os serviços de saúde na deteção e acompanhamento das mulheres sobreviventes desta prática”.
O boletim aponta também uma maior abrangência territorial dos registos, tendo em conta que, embora a maioria continue concentrada na região de Lisboa e Vale do Tejo, no último ano verificou-se um aumento de registos realizados por unidades de saúde das regiões Norte, Centro e Algarve.
Em 2025, a idade média em que a MGF foi registada como realizada foi de 7,7 anos, tendo cerca de 70,7% das mutilações ocorrido até aos nove anos, indica ainda a DGS, apontando que foram registadas complicações em 155 mulheres (53,1%), como as psicológicas, obstétricas, da resposta sexual e uro-ginecológicas.
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