Portugal está repleto de percursos pedonais que conquistam cada vez mais adeptos, seja nas arribas do Algarve, nos trilhos da Madeira ou nas levadas dos Açores. Mas há um trilho em particular, no norte do país, que se destaca entre todos os outros, não só pela paisagem, mas também pelos prémios que tem somado além-fronteiras.
Trata-se dos Passadiços do Paiva, no concelho de Arouca, um percurso que se tornou símbolo do turismo de natureza e aventura em Portugal e que continua a surpreender quem o visita.
Um percurso que conquista prémios (e corações)
De acordo com o site da Câmara Municipal de Arouca, os Passadiços do Paiva foram distinguidos, pela sétima vez consecutiva, como a melhor atracção de turismo de aventura nos World Travel Awards 2024.
O reconhecimento internacional confirma a excelência deste trilho, com cerca de 8,7 quilómetros, ao longo da margem esquerda do rio Paiva. A estrutura em madeira atravessa paisagens naturais preservadas, ligando a praia fluvial do Areinho à de Espiunca.
A escolha do sentido dita o grau de desafio: começar no Areinho significa enfrentar uma subida acentuada; partir de Espiunca é mais suave.
Muito mais do que um trilho
Segundo a mesma fonte, ao longo do percurso é possível observar pontos de interesse como a Cascata das Aguieiras, a Garganta do Paiva e as águas transparentes do rio.
Destaque também para a ponte 516 Arouca, a maior ponte pedonal suspensa do mundo, de acordo com o site Ponte 516 Arouca, com 516 metros de comprimento e 150 metros de altura.
A Câmara de Arouca esclarece que o bilhete de acesso aos Passadiços não inclui a entrada na ponte. Para visitar ambas as estruturas, é necessário adquirir bilhete específico para a ponte 516, com visita obrigatoriamente realizada no mesmo dia.
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Impacto do fogo e resiliência local
Desde a inauguração, em 2015, o percurso recebeu mais de 1,5 milhões de visitantes. No entanto, o caminho tem sido marcado por desafios. Incêndios florestais em 2015, 2016 e 2024 afectaram significativamente a estrutura.
Em setembro deste ano, um incêndio destruiu cerca de dois quilómetros dos passadiços, incluindo a escadaria junto à praia do Areinho.
De acordo com a Lusa, a presidente da Câmara de Arouca, Margarida Belém, afirmou ser essencial assegurar a reconstrução rápida da infraestrutura, dada a sua importância para a economia local.
Reabertura parcial e obras a caminho
Depois de avaliação de segurança, o troço Espiunca-Vau, com cerca de quatro quilómetros, foi reaberto ao público. Segundo a mesma fonte, as obras de reconstrução dos segmentos ardidos arrancam em janeiro de 2025, com conclusão prevista para abril.
Mesmo com percurso reduzido, o trilho continua a oferecer contacto privilegiado com a natureza, num cenário onde a biodiversidade e a geologia se destacam. O percurso integra o Arouca Geoparque Mundial da UNESCO.
Um património que atravessa fronteiras
A distinção atribuída nos World Travel Awards é apenas uma entre várias. Desde 2016, os Passadiços do Paiva já receberam mais de 20 prémios, posicionando-se ao lado de atracções como as Dunn’s River Falls, na Jamaica, ou o complexo Clymb Abu Dhabi.
Este reconhecimento internacional reforça o estatuto de Arouca enquanto destino de referência no turismo de aventura e natureza, valorizando a aposta na sustentabilidade e na recuperação pós-catástrofe.
Muito para ver (e sentir)
Visitar os Passadiços do Paiva não é apenas uma caminhada. É uma experiência sensorial que atravessa paisagens naturais, memórias geológicas e o património de um território que valoriza o seu ambiente.
Se ainda não o fez, o convite está feito. Com ou sem chuva, a beleza desta região não passa despercebida. O que está em causa é mais do que turismo: é a afirmação de um Portugal autêntico e resiliente.
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