A Ryanair vai deixar de exigir que os pais paguem para garantir lugares ao lado dos filhos quando viajam em família. A alteração aplica-se às reservas efetuadas a partir desta quarta-feira e surge após uma investigação iniciada no Reino Unido sobre a legalidade da prática adotada pela companhia aérea de baixo custo.
De acordo com o Executive Digest, publicação especializada em economia e negócios que cita a agência EFE, os adultos que viajem com crianças e optem por não pagar a seleção de lugar passarão a receber gratuitamente a atribuição dos seus assentos após realizarem o check-in. A medida aproxima a política da transportadora irlandesa daquela que já é seguida pela maioria das companhias aéreas europeias.
Até agora, a Ryanair obrigava os passageiros que viajassem com crianças entre os 2 e os 11 anos a adquirir pelo menos um lugar reservado. A empresa justificava esta exigência com a necessidade de assegurar que os menores permaneciam sentados junto de um adulto responsável durante o voo.
Investigação no Reino Unido esteve na origem da mudança
A alteração acontece poucas semanas depois de a Autoridade da Concorrência e dos Mercados do Reino Unido (CMA) ter aberto uma investigação para avaliar se a cobrança poderia ser considerada abusiva à luz da legislação britânica de proteção dos consumidores.
Em causa estava uma taxa de cerca de oito libras por trajeto, equivalente a aproximadamente 9,3 euros, aplicada aos adultos que viajavam com crianças. A entidade reguladora procurava determinar se a companhia estava, na prática, a cobrar aos pais pelo cumprimento das suas obrigações de segurança relativamente aos menores.
Com o novo modelo, as famílias poderão continuar a pagar pela escolha antecipada dos lugares caso pretendam selecionar uma zona específica da cabine. Quem optar por não o fazer receberá uma atribuição automática de lugares após concluir o processo de check-in.
A companhia aérea alertou, contudo, que as famílias que escolham esta opção terão maior probabilidade de ficar sentadas na parte traseira do avião. Segundo a empresa, os lugares localizados nas filas dianteiras tendem a ser reservados primeiro pelos passageiros que pagam pela sua seleção.
O que muda para as famílias
Na prática, os passageiros deixam de ser obrigados a pagar para assegurar que uma criança viaja ao lado de um adulto responsável. A atribuição dos lugares será feita automaticamente após o check-in, sem custos adicionais para quem não pretenda escolher antecipadamente o local onde se sentará.
Ainda assim, a possibilidade de selecionar lugares específicos mantém-se disponível mediante pagamento. A Ryanair considera que esta opção continuará a ser procurada por quem prefere viajar numa determinada zona da cabine ou garantir maior flexibilidade na escolha dos assentos.
Ryanair critica decisão dos reguladores
A mudança não foi recebida com entusiasmo pela administração da transportadora. O presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que a CMA pressionou a empresa a adotar uma política que, no seu entender, é menos transparente para os consumidores.
O responsável considerou que a companhia está apenas a alinhar-se com a prática dominante no setor da aviação comercial, apesar de defender que o sistema anteriormente utilizado oferecia maior clareza aos passageiros no momento da reserva.
Segundo a mesma fonte, O’Leary afirmou que a Ryanair irá adaptar-se ao padrão seguido pela maioria das companhias aéreas europeias, embora tenha manifestado reservas quanto às conclusões dos reguladores britânicos. O dirigente acrescentou ainda que não pretende prolongar o debate com a autoridade da concorrência sobre a matéria.
A nova política entra imediatamente em vigor para as reservas efetuadas a partir de agora e representa uma alteração significativa numa das regras mais discutidas da companhia nos últimos anos, particularmente entre as famílias que viajam com crianças pequenas.















