O consumo de peixe continua a ser associado a vários benefícios para a saúde, sobretudo no caso das espécies mais ricas em ácidos gordos ómega-3, vitaminas e minerais. Ainda assim, nem todas as opções à venda nos supermercados recolhem o mesmo consenso entre especialistas, já que algumas continuam a levantar dúvidas quanto ao seu valor nutricional e às condições em que são produzidas, segundo um artigo divulgado pelo HuffPost.
De acordo com o médico Rodrigo Arteaga, há pelo menos três peixes que merecem atenção redobrada por parte dos consumidores: o panga, a tilápia e a perca. Em causa estão, sobretudo, o perfil nutricional mais limitado quando comparado com outras espécies e, em alguns casos, dúvidas relacionadas com a origem, a rastreabilidade e a eventual presença de contaminantes.
Panga está entre os peixes mais questionados
No caso do panga, trata-se de um dos peixes que mais polémica tem gerado nos últimos anos. Originário do sudeste asiático, é produzido em larga escala, muitas vezes em sistemas de criação intensiva instalados em grandes rios, o que tem alimentado dúvidas sobre a qualidade da água em que se desenvolve.
Segundo o médico citado, apesar de os produtos destinados ao mercado europeu passarem por controlos sanitários, o panga continua a gerar reservas entre especialistas devido ao seu perfil nutricional mais pobre do que o de outras espécies, sobretudo pelo baixo teor de gorduras saudáveis, como os ómega-3, oferecendo por isso menos vantagens nutricionais do que outras alternativas disponíveis no mercado.
Tilápia também levanta reservas entre especialistas
Já a tilápia é hoje uma das espécies mais consumidas a nível mundial, com produção alargada a vários países, em grande parte devido ao crescimento rápido e à facilidade de criação. Essa popularidade, no entanto, não tem impedido o surgimento de críticas à sua qualidade nutricional.
De acordo com Rodrigo Arteaga, a alimentação dada a estes peixes em contexto de aquicultura pode influenciar de forma direta a sua composição final. Isso faz com que o teor de ácidos gordos benéficos seja, em muitos casos, mais reduzido do que seria desejável.
Embora a tilápia seja uma fonte de proteína, explica o especialista, não se destaca particularmente quando comparada com outros peixes que apresentam uma composição nutricional mais completa e mais equilibrada.
Perca tem melhor reputação, mas não está isenta de dúvidas
No caso da perca, o cenário é ligeiramente diferente. Esta espécie costuma ter uma imagem mais favorável, sobretudo quando provém de meios controlados ou de pesca regulamentada. Ainda assim, a sua presença no mercado através de circuitos de importação ou de aquicultura também tem levantado algumas questões.
As dúvidas, neste caso, centram-se sobretudo na rastreabilidade e nas condições de produção. Ainda que o seu perfil nutricional possa ser, em termos gerais, mais equilibrado do que o do panga, isso não significa que desapareçam por completo as reservas apontadas por alguns especialistas.
Peixe continua a ter lugar na alimentação
Apesar das críticas dirigidas a determinadas espécies, o consumo de peixe continua a ser associado a vários benefícios para a saúde. Entre eles estão o fornecimento de proteínas completas, importantes para a formação e reparação dos tecidos, e a presença de vitaminas como a D e a B12, relevantes para o sistema nervoso e para a saúde óssea.
No caso dos peixes gordos, como a sardinha ou o salmão, destaca-se ainda o teor de ómega-3, frequentemente associado à saúde cardiovascular. O ponto sublinhado pelo especialista não passa, por isso, por afastar o peixe da alimentação, mas antes por olhar com mais atenção para a origem do produto, o tipo de produção e a diversidade das escolhas feitas no dia a dia.
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