Esta é uma aplicação usada por praticamente todos os condutores, tendo-se tornado uma ferramenta indispensável para quem anda na estrada. Permite alertar outros automobilistas sobre acidentes, engarrafamentos ou até radares, tudo em tempo real. Mas essa mesma utilidade está agora a ser explorada de forma maliciosa por burlões que se fazem passar por reboques oficiais para enganar quem acabou de sofrer um acidente.
Tudo começa com um alerta no Waze
Apesar de pertencer ao mesmo grupo que o Google Maps, o Waze diferencia-se pela forte componente comunitária. São os próprios utilizadores que indicam engarrafamentos, acidentes, radares e até controlos policiais através da aplicação. É precisamente essa partilha em tempo real que tem sido aproveitada para fins menos ‘nobres’.
Segundo o jornal El Economista, citado pela Marketeer, o novo esquema começa quando um acidente é reportado na aplicação. Os burlões monitorizam esses alertas e deslocam-se rapidamente para o local com uma viatura de reboque.
Burlões com aspeto de profissionais
Ao chegarem junto do veÃculo acidentado, os burlões apresentam-se como reboques oficiais, muitas vezes vestidos com coletes refletores e equipados com logótipos que imitam os das seguradoras ou das concessionárias de autoestradas, refere a fonte acima citada. O objetivo é simples: convencer o condutor de que a assistência já foi acionada e que o carro precisa de ser levado o quanto antes.
Na maioria dos casos, a vÃtima encontra-se ainda em estado de choque ou stress, o que facilita a aceitação da ajuda sem grandes perguntas.
Quando o alÃvio pode virar dor de cabeça
O problema surge mais tarde. Quando o carro é finalmente localizado, muitas vezes a dezenas de quilómetros do local original, os proprietários são confrontados com faturas exorbitantes.
Há relatos de valores que ultrapassam os 3.500 euros por um simples transporte, sem qualquer reparação associada.
Além disso, em vários casos, os veÃculos são retidos até pagamento integral, o que dificulta a recuperação e obriga os lesados a entrarem em longos processos legais.
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Como reconhecer uma situação suspeita
De acordo com a mesma fonte, as autoridades deixam vários alertas aos condutores. O primeiro sinal de alarme é a rapidez com que a suposta grua chega ao local. Se não tiver sido feita qualquer chamada para o seguro ou para os serviços de emergência, a presença imediata de uma viatura de reboque deve levantar suspeitas.
Outro sinal de alerta é a ausência de identificação clara. As viaturas oficiais devem estar devidamente sinalizadas e os operadores têm de apresentar credenciais. Aconselha-se ainda que o condutor ligue sempre para a seguradora antes de autorizar qualquer remoção do veÃculo.
Um verão de cuidados redobrados
Com o aumento de viagens rodoviárias nesta altura do ano, as estradas tornam-se palco não só de acidentes, mas também de esquemas oportunistas. A PolÃcia francesa já registou um aumento considerável de casos nos últimos meses, sobretudo em zonas turÃsticas e vias de grande tráfego, refere a fonte espanhola, citada pela Marketeer.
Portugal, embora ainda sem relatos formais desta burla em território nacional, não está imune. O perfil das estradas e o comportamento de muitos condutores em viagem de férias tornam o cenário propÃcio a este tipo de abordagem, alerta a mesma fonte.
O que fazer em caso de acidente
Em caso de acidente, o mais importante é manter a calma e seguir os procedimentos habituais: ligar imediatamente para a linha de assistência da seguradora, esperar pela chegada de ajuda oficial e nunca aceitar serviços não solicitados.
No caso de surgir uma viatura de reboque, pedir sempre identificação e confirmar por telefone com a seguradora se aquela empresa está autorizada a proceder à remoção.
Nem tudo o que chega depressa é bom
Este esquema utilizando a aplicação Waze aproveita-se da boa vontade das pessoas e da eficiência esperada nas aplicações modernas, explica ainda a Marketeer. Mas, quando a ajuda chega demasiado cedo, pode ser sinal de que há algo fora do normal.
Com a popularidade crescente do Waze e de outras plataformas colaborativas, a prudência tem de andar ‘de mãos dadas’ com a tecnologia. A segurança do condutor começa também pela atenção aos pequenos pormenores.
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