A Covid-19 continua a revelar manifestações que vão além dos sintomas mais conhecidos e que, em alguns casos, surgem de forma inesperada. Entre esses sinais está uma alteração na boca, mais concretamente na língua, que tem vindo a ser associada a infeções pelo coronavírus e que, apesar de pouco comum, está documentada em estudos científicos desde os primeiros meses da pandemia.
Este sintoma, que ficou informalmente conhecido como “Língua de Covid”, afeta um número reduzido de doentes, mas pode gerar preocupação por surgir de forma visível e, por vezes, desconfortável. A condição não consta da lista oficial de sintomas mais frequentes, mas tem sido acompanhada por médicos e investigadores ao longo dos últimos anos.
Sintoma menos conhecido, mas já identificado
De acordo com o Notícias ao Minuto, a chamada “Língua de Covid” foi identificada num estudo iniciado em 2020, que analisou manifestações orais em pessoas infetadas. Os investigadores observaram alterações, como pequenas manchas, pontos esbranquiçados e zonas sensíveis na língua, associadas à infeção por SARS-CoV-2.
Segundo a mesma fonte, o médico Tim Spector explicou que “uma em cada cinco pessoas com Covid ainda apresenta sintomas menos comuns que não constam na lista oficial”, acrescentando que tem sido observado “um número crescente de casos de ‘Língua de Covid’ e úlceras estranhas na boca”.
Alterações na boca que vão além da língua
As alterações não se limitam apenas à superfície da língua. Conforme a publicação, alguns doentes relataram também boca seca, sensibilidade aumentada, inchaço e dificuldade em mastigar, bem como úlceras na boca e nos lábios. Em certos casos, foi ainda identificada candidíase oral associada à infeção.
O site explica que estes sintomas tendem a desaparecer após a recuperação da Covid-19, embora possam persistir durante alguns dias ou até cerca de duas semanas, sem que isso indique, por si só, uma evolução grave da doença.
Sintomas mais comuns continuam a ser os mesmos
Apesar destas manifestações menos frequentes, os médicos sublinham que o quadro clínico mais habitual da Covid-19 se mantém estável. O médico de família David M. Cutler afirmou que “os sintomas mais comuns da Covid-19 são essencialmente os mesmos que temos observado nos últimos seis anos”.
“A maioria dos casos é leve”, referiu o médico, explicando que, quando surgem sintomas, estes incluem febre, tosse, dor de garganta, congestão nasal, fadiga, dores no corpo, dores de cabeça, náuseas, vómitos ou diarreia, conforme a mesma fonte.
Quando é difícil distinguir de uma gripe ou constipação
A semelhança entre os sintomas da Covid-19, da gripe e das constipações continua a ser um desafio clínico. De acordo com a publicação, o médico Suraj Saggar alerta que “não existe um único sintoma que realmente diferencie claramente uma doença da outra”, o que dificulta a identificação imediata da infeção sem testes laboratoriais.
Com a circulação de variantes mais recentes, como a Nimbus e a Stratus, alguns doentes descreveram dores de garganta particularmente intensas. Ainda assim, o padrão geral dos sintomas mantém-se semelhante ao observado em fases anteriores da pandemia.
Variantes recentes e sinais já conhecidos
A médica Bernadette Boden-Albala reforça essa leitura. Citada pelo Notícias ao Minuto, a médica esclarece que “não estamos a observar sintomas novos ou incomuns nas variantes que circulam atualmente”, apontando que febre, tosse, congestão nasal e fadiga continuam a ser os sinais mais frequentes.
A especialista acrescenta que a variante Nimbus se tem destacado por uma dor de garganta intensa, mas sem alterações profundas no perfil geral da doença.
















