A velha máxima de que quem acorda cedo tem a ajuda divina pode até estar bem enraizada no imaginário popular, mas quando o pequeno-almoço é negligenciado, essa ajuda pode não chegar. O início do dia exige não só disciplina, mas também atenção às escolhas alimentares que influenciam diretamente a saúde física e mental.
O pequeno-almoço como pilar da saúde
Para o psiquiatra José Luis Marín, citado pelo Diario AS, a primeira refeição do dia deve ser levada a sério. Numa entrevista recente no podcast Nude Project, o médico deixou claro que o pequeno-almoço é mais do que um hábito: é uma base fundamental para manter um estilo de vida equilibrado e prevenir desequilíbrios no organismo.
Segundo o especialista, não basta comer de manhã, é preciso fazê-lo de forma correta. E isso implica selecionar alimentos que contribuam verdadeiramente para o bem-estar. Açúcar e cereais industriais, por exemplo, foram apontados como dois dos piores erros cometidos logo ao acordar.
O que deve evitar logo de manhã
Marín é direto: “Nada de cereais, nada de açúcar”. Para o médico, estes alimentos provocam picos de glicemia e não oferecem os nutrientes necessários para começar bem o dia. O consumo de açúcar logo ao início da manhã pode afetar o desempenho físico e mental e, a longo prazo, comprometer a saúde metabólica.
O psiquiatra alertou ainda que muitos dos produtos rotulados como saudáveis ou indicados para o pequeno-almoço, como iogurtes aromatizados ou barras de cereais, escondem quantidades significativas de açúcares processados, o que contradiz a imagem de alimento equilibrado.
Alimentos que fazem a diferença
Em contrapartida, o médico enumerou uma série de alternativas mais completas e nutritivas. Sugeriu pão com abacate, fatias de presunto de boa qualidade, peixe azul como a anchova, uma peça de fruta e bebidas como café, café com leite ou infusões ao gosto pessoal.
A combinação destes alimentos oferece proteína, gordura saudável e fibra, promovendo saciedade e fornecendo energia de forma mais estável. Além disso, representam uma abordagem mais mediterrânica, evitando os produtos altamente processados.
Não basta comer: é preciso criar o hábito
Para além da escolha dos alimentos, o tempo dedicado ao pequeno-almoço também foi valorizado por José Luis Marín. O especialista, citado pela mesma fonte, defende que esta refeição deve ser feita com calma, sem pressas, permitindo ao corpo e à mente começarem o dia de forma tranquila.
Aconselha, idealmente, cerca de meia hora para tomar o pequeno-almoço. Nesse tempo, recomenda conversar com alguém, ler ou simplesmente aproveitar o momento. Quando viaja sozinho, revelou que chega a passar até 40 minutos a tomar o pequeno-almoço com o tablet ou um livro ao lado.
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O cérebro começa no estômago
Durante a entrevista, surgiu também a questão da ligação entre o sistema digestivo e o cérebro. Marín foi perentório: o que se come influencia diretamente o funcionamento do sistema nervoso. Todas as células do organismo, incluindo as do cérebro, dependem dos nutrientes fornecidos pelos alimentos.
Este princípio ajuda a explicar porque é que uma alimentação inadequada pode afetar o humor, a energia e até a capacidade de concentração. Um pequeno-almoço equilibrado é, assim, um ponto de partida essencial para manter o cérebro ativo e saudável, segundo o mesmo.
A relação entre intestino e mente
O médico abordou ainda a ligação entre o intestino e o sistema nervoso, tema que tem vindo a ser amplamente estudado nos últimos anos. O chamado “segundo cérebro”, expressão popular para se referir ao intestino, é cada vez mais reconhecido como parte integrante da saúde mental e emocional.
O que se come ao pequeno-almoço pode, por isso, ter reflexos no estado de espírito ao longo do dia. Uma refeição rica em nutrientes e pobre em açúcares refinados contribui para uma resposta mais equilibrada do organismo ao stress e à fadiga.
Um gesto diário com impacto duradouro
José Luis Marín reforçou a importância de transformar o pequeno-almoço num verdadeiro ritual de cuidado pessoal, segundo o AS. Ao contrário do que muitos pensam, esta não é uma refeição de menor importância ou uma mera formalidade antes de sair de casa.
Para o especialista, começar o dia com tempo, alimentos certos e um ambiente calmo é uma escolha que melhora não só a saúde física, mas também a mental, emocional e até relacional.
Um pequeno gesto diário que pode ter reflexos profundos na qualidade de vida.
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