A Organização de Consumidores e Usuários (OCU) espanhola está a pedir que se repense a forma de cozinhar arroz, lembrando que este cereal é um dos alimentos que mais contribui para a exposição ao arsénico inorgânico na dieta. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos voltou a confirmar que a exposição alimentar a este contaminante é motivo de preocupação para a saúde a longo prazo, o que torna ainda mais importante reduzir o que for possível dentro de casa.
O alerta ganhou força por tocar num hábito muito comum: cozinhar arroz sem o lavar e deixando-o absorver toda a água. A OCU sublinha que há formas simples de diminuir a quantidade de arsénico que pode ficar no arroz já pronto, sem dramas e sem complicar a receita.
Além do “como se cozinha”, entra aqui o “quanto se come”. A OCU reforça que o risco cresce quando o arroz (e produtos de arroz) passam a ser a base da alimentação, e que crianças e bebés, por terem menor peso, podem aproximar-se mais rapidamente de valores de referência.
Porque é que o arroz está no centro do aviso
O arsénico inorgânico é um contaminante muito difundido no ambiente e pode aparecer nos alimentos por razões naturais e também associadas a atividade humana, como práticas industriais e agrícolas. No caso do arroz, o problema é conhecido: tende a acumular mais arsénico do que outros cereais em determinadas condições.
A avaliação da EFSA aponta a alimentação como principal via de exposição na Europa, com destaque para o arroz e produtos à base de arroz, além de grãos e produtos de cereais. A preocupação é sobretudo com efeitos de longo prazo, incluindo riscos associados a alguns tipos de cancro.
Num trabalho de análise citado pela OCU, foram avaliados 136 alimentos (arroz de vários tipos e derivados), e os resultados indicaram maior presença no arroz integral e em produtos como tortitas/bolachas de arroz, embora sem intenção de “apontar marcas”, por os níveis variarem com a origem e outros fatores.
O “erro” que a OCU quer que se evite
O ponto prático do aviso é este: cozinhar arroz sem o lavar e sem descartar água pode ser uma má ideia se o objetivo for reduzir contaminantes. A OCU recomenda lavar, escorrer e, se possível, reforçar a redução com uma cozedura em água a mais, eliminando o excedente.
Em linguagem simples, é cozinhar o arroz mais “à massa”: água abundante, coze, escorre no fim. Segundo a OCU, parte do arsénico pode ir para a água, e ao deitar essa água está a cortar uma fatia do problema.
Para quem quer manter o arroz solto e com melhor textura, o lavar também ajuda a retirar algum amido à superfície, e, neste caso, ainda traz o “bónus” de diminuir o que pode ir no prato em termos de contaminantes.
Quem deve ter mais atenção
A OCU chama a atenção para crianças e bebés: por terem menor peso, a margem diária é mais curta e uma dieta muito centrada em arroz e derivados pode tornar-se mais sensível. O alerta é ainda mais relevante quando entram na rotina produtos específicos à base de arroz, como papas e snacks.
No caso das papas de cereais instantâneas com arroz, a OCU refere que encontrou referências em que duas porções diárias poderiam ultrapassar valores de referência para um bebé, reforçando que não se trata de “proibir”, mas de variar e não insistir sempre no mesmo.
A recomendação mais repetida é a mais antiga — e continua a ser a mais eficaz: alimentação variada. Alternar arroz com massa, batata, leguminosas e outros cereais ajuda a reduzir a exposição acumulada e evita que um único alimento “puxe” o total para cima.
O que pode fazer já, sem mudar tudo
Se cozinha arroz várias vezes por semana, a mudança mais simples é esta: lave bem, deixe escorrer e, quando fizer sentido para o prato, coza com água abundante e escorra no fim. E, se costuma comprar sobretudo integral ou muitos snacks de arroz, pense em alternar mais.
O aviso não é para entrar em pânico com o arroz, é para cozinhar de forma mais esperta e evitar que um hábito repetido (arroz quase todos os dias, sempre da mesma forma) aumente a exposição a um contaminante que, segundo a EFSA, continua a justificar preocupação quando olhamos para o longo prazo.
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