A ministra da Saúde reconheceu que continuam a existir demoras na triagem das urgências hospitalares no Algarve, mas rejeitou as denúncias de falta de macas feitas nos últimos dias. Ana Paula Martins garantiu que o problema não está na inexistência de equipamentos, mas sim nas limitações de espaço e no tempo necessário para admitir os doentes nas urgências.
Segundo a SIC Notícias, a governante respondeu às críticas dirigidas ao Hospital de Portimão, onde a Comissão de Utentes em Defesa dos Serviços Públicos (CUDESP) denunciou alegadas situações de retenção de doentes em ambulâncias por falta de macas.
Governo rejeita acusações
Ana Paula Martins desmentiu que exista escassez de macas nas unidades hospitalares algarvias, contrariando as informações divulgadas pela comissão de utentes. “Nós temos muitas macas, nós compramos macas todos os anos. O que nós temos, por vezes, é um tempo que transcende os 30, 40 ou 50 minutos para a triagem e isso tem que ver com o espaço que temos na urgência”, afirmou a ministra.
Segundo a governante, os constrangimentos resultam sobretudo da capacidade física das áreas de urgência e não da disponibilidade de equipamento para receber os doentes. Acrescentou que o objetivo passa por reduzir o tempo de espera até à triagem, um trabalho que está a ser desenvolvido pela Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, em articulação com o INEM e com as Unidades Locais de Saúde.
Denúncias voltam a gerar polémica
As declarações surgem depois de a CUDESP ter descrito uma situação considerada “indigna e desumana” no Hospital de Portimão, relacionada com alegadas ambulâncias retidas à porta da unidade.
A ministra rejeitou essa versão dos acontecimentos. “É absolutamente falso. Eu considero absolutamente irresponsável fazerem-se estes comunicados. Eu estava lá naquela altura e não é verdade que estavam ambulâncias à porta com doentes lá dentro”, declarou.
Bombeiros alertam para riscos
Apesar da posição do Governo, o presidente da Liga dos Bombeiros manifestou preocupação com a retenção de macas nos hospitais, alertando para o impacto que essa situação poderá ter na capacidade de resposta das ambulâncias em novas emergências. Conforme a mesma fonte, os constrangimentos sentidos nas urgências hospitalares têm afetado sobretudo o Algarve e a região de Setúbal, especialmente durante o verão, período em que cerca de 30% das equipas de profissionais de saúde se encontram de férias.
Mesmo reconhecendo as dificuldades próprias desta época do ano, Ana Paula Martins afirmou estar confiante na capacidade do Serviço Nacional de Saúde para assegurar o funcionamento das urgências. A ministra garantiu que os serviços, incluindo as áreas de ginecologia e obstetrícia, continuarão a ser prestados, apesar da pressão adicional que caracteriza os meses de maior afluência aos hospitais.
Conferência serviu para outro anúncio
As declarações foram feitas à margem da conferência “Doença de Alzheimer: Momento de Agir”, realizada na Assembleia da República.
Na mesma ocasião, escreve a SIC Notícias, Ana Paula Martins revelou ainda que os medicamentos inovadores para a doença de Alzheimer já aprovados pelas entidades europeias receberam parecer negativo do Infarmed, razão pela qual não serão comparticipados em Portugal.
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