A Federação de Bombeiros do Algarve e a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve alertam para o aumento da retenção de ambulâncias dos corpos de bombeiros nos serviços de urgência da Unidade Local de Saúde do Algarve, considerando que a situação está a comprometer a capacidade de resposta da emergência pré-hospitalar na região.
As duas entidades manifestam “profunda preocupação” com uma realidade que, segundo afirmam, se tem agravado e reduz diariamente a disponibilidade dos meios responsáveis pela primeira resposta às populações.
As ambulâncias dos bombeiros integram o Sistema Integrado de Emergência Médica e destinam-se a prestar assistência no local da ocorrência, estabilizar as vítimas e transportá-las para as unidades hospitalares. Terminada essa missão, devem regressar às respetivas áreas de intervenção para responder a novas emergências.
Contudo, a Federação e a AMAL afirmam que várias ambulâncias permanecem diariamente durante horas junto aos serviços de urgência, enquanto aguardam que os doentes sejam recebidos pelas equipas clínicas.
“Durante esse período deixam, simplesmente, de existir para o sistema de emergência”, alertam as entidades, acrescentando que cada viatura imobilizada representa menos um meio disponível para responder a uma paragem cardiorrespiratória, a um acidente rodoviário ou a qualquer outra situação urgente.
“Enquanto uma ambulância permanece parada à porta de uma urgência… pode existir uma vida à espera de uma ambulância”, sublinham.
Retenções chegaram às oito horas
Um levantamento realizado junto dos corpos de bombeiros algarvios registou períodos máximos de retenção que, em alguns casos, atingiram as oito horas. Entre os dados apresentados encontram-se também corporações com dezenas de episódios e várias dezenas de horas acumuladas de indisponibilidade das ambulâncias.
De acordo com a informação divulgada, foram registados, entre outros valores, totais de 67 horas, 33 horas, 69 horas e 47 minutos, 48 horas e 55 minutos e 44 horas e 50 minutos de retenção em diferentes corpos de bombeiros. As médias apuradas por ambulância situaram-se, em vários casos, acima das duas horas.
A Federação e a AMAL consideram que estes números demonstram que o problema deixou de constituir um constrangimento ocasional e passou a assumir um caráter estrutural, com consequências diretas na segurança da população algarvia.
A situação é considerada particularmente preocupante no Algarve devido ao aumento sazonal da população, que reforça a pressão sobre o dispositivo regional de emergência.
A redução do número de ambulâncias disponíveis obriga frequentemente à deslocação de meios provenientes de outros concelhos, aumentando os tempos de resposta e diminuindo a capacidade operacional das corporações nas respetivas áreas.
As duas entidades alertam ainda para os efeitos noutras missões de proteção e socorro, como acidentes com necessidade de desencarceramento, operações de busca e salvamento, resgates ou aberturas de portas perante suspeitas de emergência.
“Estamos, por isso, perante um efeito em cadeia que fragiliza todo o dispositivo regional de socorro, colocando em causa a capacidade de resposta operacional dos Corpos de Bombeiros do Algarve nas suas múltiplas missões de proteção e assistência às populações”, sustentam.
Entidades exigem medidas urgentes e maior articulação
A Federação de Bombeiros do Algarve e a AMAL reconhecem o esforço desenvolvido pelos profissionais do Serviço Nacional de Saúde, que enfrentam elevados níveis de pressão assistencial, mas defendem que as dificuldades hospitalares não podem continuar a provocar a indisponibilidade dos meios de emergência pré-hospitalar.
“As ambulâncias dos Bombeiros não podem transformar-se em extensões das urgências hospitalares. Existem para salvar vidas”, afirmam.
As duas organizações exigem medidas destinadas a reduzir os tempos de retenção e um reforço da articulação entre a Unidade Local de Saúde do Algarve, o Instituto Nacional de Emergência Médica e os corpos de bombeiros.
Defendem igualmente que os comandantes das corporações algarvias não podem ser responsabilizados por atrasos na resposta operacional quando estes resultem da indisponibilidade de viaturas retidas nas unidades hospitalares.
Segundo o comunicado, subscrito por Steven Sousa Piedade, presidente da Federação de Bombeiros do Algarve, e António Pina, presidente da AMAL, os corpos de bombeiros continuam a mobilizar os recursos disponíveis, mas a permanência prolongada de uma parte significativa dos meios nos hospitais limita inevitavelmente a capacidade de resposta.
“Não está apenas em causa a gestão operacional dos Corpos de Bombeiros. Está em causa a capacidade de resposta do Sistema Integrado de Emergência Médica. Está em causa a eficácia da Proteção Civil. Está em causa a segurança das populações do Algarve. E está em causa a confiança que os cidadãos depositam no Estado quando ligam 112”, alertam as entidades.
A Federação e a AMAL consideram que quem pede ajuda espera legitimamente encontrar uma ambulância disponível, concluindo que “a vida humana não pode esperar”.
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