Tenerife prepara-se para receber o navio de cruzeiro MV Hondius, associado a um surto de hantavírus que já provocou três mortes e vários casos suspeitos ou confirmados. Apesar das garantias da Organização Mundial de Saúde e das autoridades espanholas de que o risco para a população das Canárias é baixo, a chegada da embarcação está a gerar nervosismo na ilha.
O navio deverá chegar à zona de Tenerife este domingo, mas não está previsto que atraque diretamente no porto como aconteceria numa operação normal.
Segundo as autoridades, e de acordo com o El País, o MV Hondius ficará fundeado ao largo, e os passageiros deverão ser retirados em pequenas embarcações, com medidas de segurança sanitária para evitar contacto com a população local.
Passageiros retirados em pequenos grupos
A operação deverá decorrer no porto de Granadilla, uma infraestrutura industrial situada numa zona afastada dos principais centros turísticos.
A escolha deste local está relacionada com a sua proximidade ao Aeroporto de Tenerife Sul e com o facto de não ser um porto de passageiros.
As autoridades espanholas indicam que os passageiros serão transferidos em lanchas, em pequenos grupos, e encaminhados segundo protocolos sanitários e de repatriamento.
OMS tenta tranquilizar população
O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, procurou tranquilizar os residentes de Tenerife, afirmando que o risco para a população é baixo.
Também o Governo espanhol tem insistido que a operação será feita com segurança e sem contacto direto entre os passageiros do navio e os habitantes das Canárias.
Ainda assim, a chegada do cruzeiro tem provocado preocupação entre responsáveis políticos, trabalhadores portuários e moradores da zona.
“Tenho medo”, dizem moradores
Em Granadilla de Abona, há residentes que admitem sentir receio com a chegada do navio.
Alguns dizem compreender a necessidade de prestar apoio aos passageiros, mas temem que o surto possa representar algum risco para a ilha.
A preocupação é agravada pela memória recente da pandemia, que ainda leva parte da população a reagir com desconfiança perante surtos associados a viagens internacionais.
Governo das Canárias critica operação
O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, criticou a forma como a decisão foi comunicada e defendeu que existiam dúvidas sobre o alcance do surto.
Também responsáveis locais pediram garantias adicionais para proteger trabalhadores do porto, equipas de saúde e população residente.
Apesar das críticas, a operação avançou por decisão do Governo espanhol, em coordenação com a OMS e outras autoridades internacionais.
Navio não terá contacto direto com a ilha
Uma das medidas centrais é impedir que o navio atraque em zona de circulação normal.
O MV Hondius deverá permanecer afastado da costa, enquanto os passageiros são retirados apenas quando existirem condições para a evacuação e eventual repatriamento.
Segundo a imprensa internacional, os passageiros serão avaliados a bordo e encaminhados de acordo com a nacionalidade e o estado clínico.
Três mortes e vários casos
O surto no MV Hondius já foi associado a três mortes e a vários casos de hantavírus.
O navio transporta mais de 140 passageiros e tripulantes, de várias nacionalidades, e vinha de uma viagem pelo Atlântico Sul depois de partir da Argentina.
A OMS indicou que o hantavírus está normalmente associado ao contacto com roedores infetados, embora a estirpe em investigação possa permitir transmissão rara entre pessoas em contacto muito próximo.
Passageiros podem ser repatriados
Vários países estão a preparar o regresso dos seus cidadãos.
Os Estados Unidos e o Reino Unido estão entre os países que organizam meios para retirar nacionais que permanecem no navio.
No caso dos passageiros espanhóis, está previsto isolamento após o desembarque, enquanto os restantes deverão seguir protocolos definidos pelos respetivos países.
Autoridades pedem calma
Apesar do receio local, as autoridades insistem que a operação foi planeada para reduzir ao mínimo qualquer risco.
A prioridade é retirar os passageiros e tripulantes em segurança, garantir avaliação médica e impedir contactos desnecessários com a população.
O caso continua a ser acompanhado de perto pela OMS, pelo Governo espanhol e pelas autoridades das Canárias, numa operação sanitária internacional que envolve vários países.
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