Faro está entre os destinos dos doentes oncológicos que, desde a suspensão da radioterapia no hospital de Évora, em 1 de junho, têm de se deslocar para receber tratamentos, alertou o Bloco de Esquerda. O partido exige a reabertura da unidade e esclarecimentos sobre as medidas que a administração pretende adotar.
Num comunicado divulgado este domingo, 6 de setembro, a Comissão Coordenadora Distrital de Évora do BE manifestou “enorme preocupação” com a situação de “centenas de doentes” da região.
Segundo a estrutura partidária, os tratamentos estão a ser assegurados em Santarém, Faro ou Lisboa. As deslocações começaram por “força da renovação de equipamento” e mantêm-se, agora, “aparentemente por problemas na operação”, sustenta o partido.
Substituição de equipamentos envolve quatro milhões de euros
O BE recorda que a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) suspendeu temporariamente os tratamentos para proceder à “substituição dos dois equipamentos de tratamento e dos aceleradores lineares”.
De acordo com o comunicado, está em causa um investimento público estimado em quatro milhões de euros, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, apesar de o serviço estar concessionado há vários anos à Joaquim Chaves Oncologia S.A.
Em paralelo, segundo o partido, a ULSAC lançou em fevereiro um concurso para uma nova concessão do serviço, por quatro anos, prorrogável por mais um, no valor de 18.658.209 euros.
BE questiona situação do concurso para a concessão
A estrutura distrital afirma que a Joaquim Chaves SA também concorreu ao procedimento, mas que o concurso foi ganho pela Altrys Portugal, empresa de origem espanhola que já tinha detido a concessão.
Contudo, o concurso “terá acabado por ser anulado”, refere o BE, acrescentando que isso terá ocorrido “alegadamente pelo Tribunal de Contas, sem que se conheçam os fundamentos” da anulação.
O partido alerta igualmente para a incerteza que afeta os técnicos de radioterapia. Segundo o comunicado, os trabalhadores ainda não viram os seus contratos com a Joaquim Chaves SA afetados, mas desconhecem o que lhes reserva o futuro próximo.
“Por outro lado, é preciso que os postos de trabalho dos técnicos de radioterapia sejam assegurados”, defende.
Partido pede reabertura e informação aos doentes
Na perspetiva do BE de Évora, a concessão dos tratamentos a privados “não dá garantia” de que a Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo, em Évora, “cumpra sem sobressaltos” a sua função, nem proporciona aos doentes oncológicos e às famílias a “tranquilidade que é exigida”.
Por isso, o partido desafia o presidente do conselho de administração da ULSAC a promover a reabertura da unidade, adotando as medidas necessárias para que esta “cumpra de forma autónoma” as suas responsabilidades na prestação de cuidados de radioterapia.
A comissão distrital pede ainda que a administração informe, “de forma transparente”, os doentes, os trabalhadores e o público sobre as medidas que pretende adotar.
















