A prática de exercício físico de forma estruturada e orientada reduz significativamente a recidiva do cancro e o risco de morte em doentes que terminaram o tratamento, de acordo com um estudo pioneiro publicado em junho do ano passado, na revista científica New England Journal of Medicine. O estudo revelou que doentes que seguiram um plano de exercícios personalizado com o acompanhamento de um personal trainer ou de um profissional de saúde após o tratamento, reduziram o risco de morte em 37% e a probabilidade de reaparecimento da doença em 28%, em comparação com pacientes que receberam apenas orientações de saúde. O ensaio clínico foi realizado ao longo de uma década e envolveu 889 doentes com cancro do colorretal, provenientes de vários países. Após cinco anos, “80,3% dos doentes no grupo de exercício mantinham-se livres de doença, comparando com 73,9% no grupo que recebeu apenas uma intervenção de educação para a saúde”.
Embora este estudo tenha sido realizado especificamente com doentes de cancro do colorretal, os especialistas acreditam que os benefícios do exercício físico podem estender-se a outros tipos de cancro. No âmbito da prevenção, a atividade física está associada à redução do risco de pelo menos 13 tipos de cancro, segundo dados publicados na revista JAMA Internal Medicine, reforçando a sua importância como fator essencial na prevenção da doença.
Porém, os benefícios da prática da atividade física não se limitam apenas à prevenção. O exercício estimula a ação das células Natural Killer, responsáveis por destruir células tumorais, podendo reduzir o crescimento dos tumores em cerca de 50 a 60%, de acordo com um estudo divulgado na revista Trends in Molecular Medicine. O exercício físico promove ainda a ação de diversos genes supressores tumorais, como o gene TP53, conhecido como o “guardião do genoma”. Desta forma, contribui para prevenir a proliferação de células tumorais e reduzir a capacidade de metastização, ou seja, a disseminação da doença para outras partes do corpo.
Os benefícios são igualmente relevantes para pessoas com diagnóstico de cancro. A prática de exercício durante o tratamento está associada à redução de sintomas como fadiga, dor e náuseas, bem como à diminuição de sintomas de ansiedade e depressão, segundo dados publicados em 2021 no European Journal of Preventive Cardiology. Perante esta evidência, os especialistas defendem que o exercício físico deve ser integrado em todas as fases da doença oncológica, desde que adaptado à condição clínica de cada doente.
As recomendações das diretrizes clínicas publicadas nos últimos 15 anos apontam para a realização de “pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa”, complementados com treino de força muscular.
A Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Sul tem vindo a reforçar esta mensagem através de iniciativas como o evento “Mexer Contra o Cancro”, que pretende sensibilizar a população para a importância da atividade física na prevenção da doença e na promoção da qualidade de vida. O Mexer Contra o Cancro decorre no próximo dia 9 de maio, no Complexo Desportivo do Jamor, entre as 9h e as 18h e conta com cerca de 42 atividades pensadas para todas as idades e para todas a famílias.
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