Uma depressão de grande dimensão ganha força no Atlântico Norte, exibindo uma extensão pouco comum para esta altura do ano, mas o seu impacto sobre Portugal acaba por ser condicionado por um anticiclone bem posicionado em latitudes mais altas.
Um anticiclone que muda o desfecho
Esse bloqueio altera a circulação atmosférica esperada, desvia a instabilidade para longe do continente e impõe um cenário bem mais contido do que o inicialmente antecipado, com efeitos que começam a ser sentidos a partir de quarta-feira, 22 de abril.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, a depressão que ainda influencia o território na terça-feira, associada a uma frente fria enfraquecida pela presença de ar seco e poeiras transportadas por um fluxo de sul, tende a afastar-se gradualmente para leste.
Ao mesmo tempo, o sistema intensifica-se em circulação retrógrada sobre o Atlântico, com um núcleo central que pode aproximar-se dos 970 hectopascais, revelando uma perturbação extensa e energeticamente relevante, ainda que distante do território continental.
Litoral Norte e Centro mais expostos à mudança
No continente, o reposicionamento dos centros de ação traduz-se sobretudo numa descida generalizada das temperaturas, tanto mínimas como máximas, após vários dias com valores acima da média de abril. A redução térmica será mais evidente no litoral Norte e Centro, onde as temperaturas máximas poderão descer até cerca de seis graus, com impacto mais notório em distritos como Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Coimbra.
Já nas regiões do interior Norte e Centro, a descida será igualmente significativa, embora ligeiramente menos acentuada, acompanhada por maior amplitude térmica diária. A sul do Tejo, incluindo o Alentejo e o Algarve, a mudança assume um carácter mais gradual, mantendo-se, ainda assim, uma tendência de arrefecimento face aos dias anteriores.
Durante a manhã, esperam-se períodos de céu muito nublado em grande parte do território, com maior probabilidade de neblinas e nevoeiros em zonas de vale e nas áreas interiores. Ao longo da tarde, a nebulosidade tende a dissipar-se, dando lugar a céu pouco nublado ou limpo, sobretudo nas regiões do sul.
O vento sopra inicialmente fraco, de sudoeste, aumentando de intensidade a partir da tarde e rodando para noroeste, em especial no litoral, onde poderá tornar-se moderado, com rajadas pontuais. A dimensão da depressão atlântica não se reflete de forma significativa em terra, e a agitação marítima mantém-se moderada na costa ocidental, com ondulação mais baixa no Algarve.
Segundo a mesma fonte, a progressiva remoção das poeiras em suspensão melhora de forma clara a qualidade do ar, que passa a classificar-se como boa na maioria das regiões. Com o aumento da humidade relativa, o risco de incêndio rural reduz-se para níveis baixos em quase todo o território continental.
Açores sob impacto direto da depressão
Nos Açores, o cenário é substancialmente mais exigente. O arquipélago ficará sob influência direta da depressão atlântica, com períodos prolongados de céu muito nublado e ocorrência de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes. Nos pontos mais elevados da ilha do Pico, a conjugação de precipitação e ar mais frio poderá permitir a queda de neve ou granizo.
Associado a este quadro, o vento sopra forte a muito forte, predominantemente de oeste ou noroeste, com rajadas que poderão atingir valores elevados em todas as ilhas. O estado do mar agrava-se de forma significativa, sobretudo nos grupos ocidental e central, onde a ondulação poderá ultrapassar os dez metros, mantendo-se as temperaturas abaixo da média para abril.
Madeira num registo intermédio
Também na Madeira se observa uma mudança, embora mais moderada. Verifica-se uma ligeira descida das temperaturas e um aumento da agitação marítima, em particular na costa norte, enquanto a precipitação deverá ser pouco frequente e tendencialmente fraca. Ao longo do dia, o vento intensifica-se, tornando-se moderado e por vezes mais forte em zonas expostas.
Quanto aos dias seguintes, o padrão atmosférico deverá manter alguma estabilidade, apesar da persistência de incerteza na evolução a partir do final da semana.
Segundo o Luso Meteo, o bloqueio em latitudes mais altas poderá favorecer a formação de bolsas de ar frio próximas da Península Ibérica, abrindo a possibilidade de episódios pontuais de instabilidade, ainda dependentes da confirmação dos próximos modelos de previsão.
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