Com a chegada do calor, os congeladores dos supermercados enchem-se de caixas coloridas, e muitos consumidores recorrem aos gelados como forma de refrescar os dias mais quentes. No entanto, nem sempre o que se encontra dentro das embalagens corresponde à imagem que transmitem.
De acordo com a Organização de Consumidores e Utilizadores (OCU), 32 gelados vendidos em tarrina foram recentemente analisados para avaliar a sua composição e qualidade nutricional. Os resultados, divulgados esta semana, indicam que uma grande parte apresenta caraterÃsticas muito distantes da receita tradicional feita com leite, ovos e açúcar.
Segundo a mesma fonte, 28 dos produtos analisados não seguem os padrões básicos dos gelados convencionais, sendo classificados como ultraprocessados devido à presença de ingredientes pouco recomendáveis para a saúde.
Entre eles encontram-se aditivos cuja função passa por conservar, modificar ou melhorar o aspeto do produto final.
Chocolate, baunilha e caramelo no centro da análise
O estudo focou-se em gelados de três sabores bastante populares: chocolate, baunilha e caramelo. Nestes, foi possÃvel identificar até 20 aditivos distintos, utilizados com diferentes objetivos. Parte deles, como alguns conservantes e antioxidantes, têm uma função justificada, já que ajudam a garantir a estabilidade do produto até ao fim da validade.
Ainda assim, escreve o jornal El Correo, há vários aditivos cuja presença levanta dúvidas. Alguns servem essencialmente para disfarçar a ausência de ingredientes essenciais.
É o caso dos corantes que substituem a gema de ovo ou a baunilha natural, bem como as lecitinas, que simulam a presença da mesma gema.
Aditivos sob escrutÃnio
Entre as substâncias identificadas, constam emulsionantes, espessantes e estabilizantes, como o E-442, E-471, E-472c e a famÃlia dos E-14XX. Conforme a mesma fonte, estes compostos não são recomendados por diversos relatórios cientÃficos que alertam para possÃveis efeitos adversos do seu consumo regular.
A OCU destaca que, apesar de muitos destes componentes serem autorizados por entidades de segurança alimentar, a sua utilização serve muitas vezes para compensar falhas na qualidade dos ingredientes naturais.
LacticÃnios em falta
Outro dos aspetos observados foi a escassez de leite e derivados nas fórmulas de várias tarrinas. Este dado foi particularmente relevante no caso dos gelados de baunilha e caramelo, em que o teor de ingredientes lácteos é muitas vezes substituÃdo por gorduras vegetais e espessantes artificiais.
Esta tendência, segundo a mesma fonte, afasta os produtos do que se entende por um gelado tradicional, aproximando-os mais de sobremesas congeladas altamente processadas.
Receitas alteradas sem aviso claro
Um dos pontos criticados pela organização prende-se com a falta de clareza na rotulagem. Em muitos casos, os consumidores são levados a crer que estão a adquirir um produto com ingredientes simples e reconhecÃveis, quando na verdade se trata de composições bastante complexas, com extensas listas de aditivos.
Explica a OCU que esta informação é muitas vezes colocada em letras pequenas, dificultando a sua leitura no momento da compra.
Produtos diferentes, preços semelhantes
Apesar das diferenças na qualidade dos ingredientes, os preços dos gelados analisados não variaram significativamente entre si. Mesmo marcas conhecidas recorreram a fórmulas ultraprocessadas, o que levanta questões sobre o valor real que os consumidores estão a pagar.
A análise concluiu que apenas uma minoria dos gelados estudados se aproxima da composição tradicional, sendo a maioria constituÃda por produtos desenhados para reduzir custos de produção.
Consumo consciente como estratégia
Perante estes resultados, a organização recomenda aos consumidores uma leitura atenta dos rótulos, dando preferência a produtos com listas de ingredientes curtas e compreensÃveis.
Sublinha ainda que o consumo ocasional não representa risco significativo, mas alerta para a importância de não banalizar o consumo diário destes produtos.
Segundo a OCU, este tipo de estudos serve para informar os consumidores e promover uma maior transparência na indústria alimentar. Ao tornar públicos os resultados, a organização espera que se criem condições para melhorar a qualidade dos produtos disponÃveis no mercado.
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