A cerimónia de abertura de Tétuão como Capital Mediterrânea da Cultura e do Diálogo 2026 marcou um momento inspirador de união, reafirmando o papel central da cultura na cooperação regional. Sob o lema da iniciativa #MedCapitals2026, o evento reuniu parceiros institucionais e protagonistas culturais para celebrar não apenas o património histórico, mas o futuro da inclusão social na bacia do Mediterrâneo.
Cultura e património em movimento
O programa anual da MCCD (Mediterranean Capitals of Culture and Dialogue) foi apresentado através de uma agenda vibrante que incluiu exposições de arte, conferências e apresentações musicais que ecoaram pelas ruas da “Pomba Branca” (como Tétuão é carinhosamente conhecida), visitas guiadas pela Medina — classificada como Património Mundial pela UNESCO — e intervenções artísticas no espaço público demonstraram a vitalidade de uma cidade que é, por natureza, um ponto de encontro de civilizações.
Entre as personalidades presentes, destacaram-se Alessandro Giovanni Lamonica, Diretor de Políticas Públicas da Fundação Anna Lindh (ALF), Antonio Nicoletti, Presidente da Camara de Matera (cidade italiana que partilha o título com Tétuão), Kamal El Mahdaoui, Conselheiro Político Sénior do Secretariado da União para o Mediterrâneo (UpM) e Anas Yamlahi, Coordenador do Comité de Supervisão de Tétuão.
Portugal e Tétuão: uma herança partilhada
A escolha de Tétuão para 2026 ressoa de forma especial em Portugal. As relações entre os dois territórios remontam ao século XV, um período de intensa partilha (e confronto) que moldou a identidade da região.
Historicamente, as forças portuguesas estacionadas em praças como Ceuta e Tânger mantiveram contactos frequentes com Tétuão. Durante a tentativa de conquista de Tânger em 1437, as crónicas relatam a passagem das tropas do Infante D. Henrique pelas proximidades de Tétuão, evidenciando a importância estratégica da cidade na geografia lusa de então.
Mais do que a história militar, é o legado cultural e arquitetónico que hoje nos une. Muitos dos refugiados andaluzes que ajudaram a reconstruir Tétuão no final do século XV passaram ou tiveram ligações com o território português, criando uma estética urbana que partilha traços comuns com o sul de Portugal. Celebrar Tétuão em 2026 é, portanto, redescobrir uma parte da própria história da expansão e da vizinhança portuguesa no Magrebe.
Olhando para o futuro
Ao lado de Matera, Tétuão assume o compromisso de utilizar a cultura como ferramenta diplomática para construir sociedades mais resilientes e abertas.

Esta abertura bem-sucedida é apenas o início de um ano de intercâmbio que promete fortalecer a identidade #EuroMediterranean.
Edição e adaptação de João Palmeiro com Anna Lindt Foundation.

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