Falar do Algarve sempre significou falar de um destino complementar aos grandes centros urbanos de Portugal. Um destino que, até recentemente, vivia da sazonalidade e era encarado puramente como um mercado de segunda habitação. Hoje, porém, a região está a ganhar protagonismo. Nos últimos anos, o imobiliário de gama alta algarvio adquiriu escala, diversificou a sua oferta e passou a atrair uma procura internacional que olha para o Algarve não apenas como um destino de férias, mas como um local onde viver e investir.
Os dados da mais recente edição do Realty Premium Market, um estudo realizado pela NOVA SBE, comprovam isso mesmo: em 2025, a região posicionou-se como o segundo mercado residencial de gama alta mais dinâmico do país e concentra 25% da oferta nacional deste segmento, o que corresponde a aproximadamente 6 mil imóveis. A isto, soma-se um fator que distingue claramente o Algarve das restantes geografias portuguesas: é a região com a maior densidade de moradias de gama alta.
Esta especificidade ajuda a explicar o porquê do Algarve ter desenvolvido uma identidade própria dentro do imobiliário português. Ao contrário de regiões como Lisboa e Porto, onde predominam os apartamentos, a oferta algarvia de gama alta assenta sobretudo em moradias T4 ou superiores, com jardim, piscina e, muitas vezes, inseridas em resorts ou condomínios. É uma oferta que responde às exigências de um comprador que procura mais do que um imóvel: procura espaço, privacidade e uma experiência residencial que se assuma como uma extensão do seu estilo de vida.
É exatamente aqui que está uma das principais forças do Algarve. A proximidade ao mar, a qualidade das infraestruturas, a oferta de campos de golfe e a presença de resorts com reconhecimento internacional criaram uma proposta de valor que vai muito além do imóvel e que é difícil de reproduzir noutros mercados. A evolução dos preços é reflexo desta dinâmica: no último trimestre de 2025, os imóveis de gama alta no Algarve já registavam valores superiores a 6.800 euros por metro quadrado, um crescimento de cerca de 8,5% face ao período homólogo.
A Quinta do Lago é, a meu ver, o exemplo mais evidente desta transformação: no final de 2025, atingiu os 10.825 euros por metro quadrado. Há cinco anos, seria impensável falar destes valores no Algarve. Atualmente, contudo, são uma realidade e posicionam algumas das localizações mais exclusivas da região no mesmo patamar que capitais europeias como Madrid, Paris ou Londres. Apesar deste posicionamento, os preços registados no mercado algarvio continuam bastante competitivos face a estes destinos, o que tem contribuído para estimular o dinamismo do Algarve.
Todos estes motivos têm levado a região a afirmar-se junto de um universo de compradores cada vez mais diversificado, que nela encontra uma alternativa aos mercados residenciais mais maduros da Europa. Os compradores do norte da Europa continuam a manter uma presença relevante na região, porém, a procura por parte de cidadãos norte-americanos e do Médio Oriente tem vindo a adquirir um peso cada vez mais expressivo, o que ilustra o papel que o mercado imobiliário tem desempenhado na construção da reputação internacional do Algarve.
O dinamismo do mercado tem, por sua vez, conduzido a uma maior diversidade dentro da própria região, onde diferentes zonas começam a responder a perfis de procura e oportunidades diferentes. O Sotavento, por exemplo, apresenta um mercado mais consolidado, liderado por zonas como Almancil e Quarteira, onde a oferta de imóveis de gama alta se cruza com uma ampla rede de serviços, campos de golfe e resorts de referência, uma combinação que tem contribuído para reforçar a atratividade e a valorização da região. Já no Barlavento, Lagos assume-se como principal referência, mas começa também a surgir uma procura crescente por zonas como Aljezur e Castro Marim, onde a natureza, a privacidade e uma menor densidade urbana têm ganho peso nas decisões de compra. Estas realidades diferentes, mas complementares, mostram que já não existe uma única dinâmica imobiliária no Algarve, mas antes um mercado composto por segmentos distintos, cada um com o seu próprio ritmo e potencial de crescimento.
Num ano em que o imobiliário de gama alta português atingiu um volume recorde de 41,2 mil milhões de euros em transações e vendeu cerca de 170 mil imóveis, o Algarve cimentou a sua posição enquanto uma das geografias mais dinâmicas do país. A combinação entre escala, oferta qualificada, maturidade e projeção global coloca a região num patamar diferente daquele que ocupava há poucos anos. Já não pode ser visto como um mero complemento aos principais centros urbanos portugueses. Deve, antes, ser encarado à luz do novo paradigma que criou para si mesmo: um mercado com autonomia e características ímpares, que o colocam entre os principais destinos de luxo europeus.
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