Se alguma dúvida, por mais pequena que fosse, houvesse sobre a importância da nossa entrada na então Comunidade Económica Europeia, transformada, entretanto, em União Europeia, bastaria atentar, não em meras irrelevâncias como o facto de, em quarenta anos de pertença a este espaço comunitário, nunca termos conseguido alcançar a média dos países que o integram em termos de PIB, mas sim no que verdadeiramente importará: o reconhecimento por parte da UE da qualidade dos nossos produtos alimentícios, como acaba de acontecer com as caralhotas de Almeirim.

Jurista
Depois de longos sete anos de mastigação institucional, a UE acaba de reconhecer o valor cultural e gastronómico das ditas caralhotas
Depois de longos sete anos de mastigação institucional, a UE acaba de reconhecer o valor cultural e gastronómico das ditas caralhotas – um pão de formato redondo, de côdea dourada e miolo macio, consumido de preferência ainda quente, à saída do forno -, passando, por via desse reconhecimento, a integrar a lista dos produtos com Indicação Geográfica Protegida, ou seja, de futuro e dentro das fronteiras da UE, caralhotas, só as de Almeirim e mais nenhumas!
E são reconhecimentos como este, que não de qualquer convergência económica, destaque numa tabela qualquer de inovações ou sucesso em metas de coesão, que são capazes de nos distinguir enquanto país, de nos projetar na galeria das nações com selo europeu!
Feliz, pois, o dia em que se deu a nossa entrada na CEE/UE e quem o não glorificar bom português não será! Ainda que possa alegar que com ela perdemos soberania, o escudo e passámos a ser governados, não por eleitos de S. Bento, mas por desconhecidos burocratas de Bruxelas.
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