A velhice é aquela fase da vida que te olham com desdém caritativo.
É a fase do “chega p’ra lá”, apesar de se ter trabalhado a vinda inteira, o idoso já não é tratado pelos mais novos como sendo uma fonte de conhecimento e de vigor, mas tão somente como a última fase da vida, naturalmente, e por isso a menos interessante. As alterações fisiológicas acumularam-se no seu corpo e as condições sociais acentuam essa realidade.
A velhice apesar de não ser uma doença é acompanhada de múltiplas doenças de desgaste físico e psicológico, o que limita a actividade, a qual, por sua vez, acentua a fragilidade física, e esta consolida a dependência.
A velhice é um estado de alma motivado pelo estado físico, é uma forma de ser e estar na vida, é um sentir-se não útil, é uma falta de actividade física ou intelectual. Tantas pessoas que se sentem idosas sem o serem e outras que, apesar da idade, desafiam a vida e os mais novos a terem uma ocupação interessante para eles e para a comunidade.
“Quem me dera ter vinte anos”, mas quando tiveram não fizeram o que hoje desejam, essa diferença é a sabedoria trazida pela idade, não é só ‘o fazer’ é o saber fazer e o saber escutar a experiência da vida.
Chegar à idade da velhice não é só uma questão de sorte ou de azar, é também a consequência de milhares de decisões individuais que parecem irrelevantes, mas que no seu conjunto definem o sentido da vida de cada pessoa em concreto.
A condição de ‘velho’ é atualmente muito condicionada pelas relações sociais e parentais, muito diferentes do que eram no princípio do século passado. A ‘rabujice de velho’ é motivada pelas condições socio-afetivas e económica, que prostrou os idosos na situação em que se encontram, já sem esperança de alteração significativa no futuro.
Há muito que pensar sobre as condições das pessoas na velhice porque as condições de vida da população alteraram-se muito, assim como as relações sociais de interdependência intergeracional. O respeito pelo ser humano idoso é fundamental.
Quanto mais velha é a árvore melhor é o fruto.
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