A ilha do Porto Santo está a travar o avanço de novos projetos turísticos de grande escala, numa altura em que a procura pela ilha continua a aumentar. A posição foi assumida pelo presidente da câmara, Nuno Batista, que defende um crescimento mais controlado, ajustado à dimensão e capacidade do território.
Com pouco mais de 5.200 habitantes e cerca de 43 quilómetros quadrados, a ilha enfrenta todos os verões uma pressão significativa, sobretudo em agosto, quando o número de pessoas pode subir para perto das 30.000. De acordo com a agência de notícias Lusa, a autarquia quer evitar que esse cenário se agrave de forma permanente.
Limites claros para o território
Para o executivo municipal, o espaço disponível obriga a uma gestão prudente. Nuno Batista considera que multiplicar unidades hoteleiras ao longo da praia teria impacto direto na ocupação do território e na capacidade de resposta local.
“O turismo de massas nunca será a nossa opção”, afirmou, sublinhando que a prioridade passa por preservar o equilíbrio da ilha e evitar erros difíceis de corrigir no futuro.
Mais qualidade, menos volume
A estratégia passa por reforçar a imagem do Porto Santo como destino de tranquilidade e não como um local de grande concentração turística. Segundo a mesma fonte, o município está a trabalhar a promoção da ilha como um “refúgio de sentidos”, apostando numa experiência mais sustentável e diferenciada. A lógica é captar visitantes que regressem pela experiência e não apenas pelo volume da oferta, num modelo que privilegia permanências mais longas e menor pressão sobre os recursos.
Os números mostram que a procura continua forte. Em 2025, escreve a Lusa, as 26 unidades hoteleiras da ilha registaram 134.731 hóspedes, sendo a maioria portugueses. Para Nuno Batista, este perfil confirma a estratégia seguida até agora. “Fizemos uma opção clara pelo turismo nacional e regional”, explicou, destacando que mais de metade da procura continua a vir do mercado interno.
Ligação aérea continua por resolver
Se a contenção na construção é uma escolha, a falta de ligações aéreas regulares é vista como um problema estrutural. O autarca voltou a criticar a ausência de voos anuais entre o Porto Santo e o continente. “Queremos apenas a oportunidade de ter um voo”, disse, defendendo que a questão ultrapassa o turismo e entra no campo da coesão territorial.
A câmara quer agora avançar com um plano de longo prazo para perceber quantas pessoas e viaturas a ilha consegue suportar sem comprometer a sua sustentabilidade. Conforme a mesma fonte, a ideia é trabalhar com dados concretos antes de tomar decisões futuras. “Presumir é muitas vezes o primeiro passo para falhar”, resumiu Nuno Batista, numa frase que acaba por sintetizar a estratégia: crescer, mas sem perder o controlo.
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