Nas próximas horas, uma nova depressão atlântica vai intensificar-se de forma muito rápida a oeste da Europa, num processo conhecido como ciclogénese explosiva: a tempestade, que deverá receber o nome Goretti, vai cavar cerca de 30 hPa em apenas um dia e, embora o núcleo passe longe do território nacional, os seus efeitos vão sentir-se em várias regiões de Portugal continental já entre quinta e sexta-feira.
De acordo com a análise meteorológica avançada pelo Meteored, site especializado em meteorologia, a depressão deverá atingir uma pressão mínima a rondar os 976 hPa durante a madrugada de sexta-feira, deslocando-se depois rapidamente para nordeste, em direcção ao território europeu.
É este cavamento súbito que classifica o fenómeno como ciclogénese explosiva, um processo relativamente raro, mas potencialmente impactante.
A passagem de Goretti surge numa altura em que Portugal tinha entrado numa fase temporária de maior estabilidade atmosférica, após dias marcados por frio, geadas e queda pontual de neve. Essa pausa será curta.
O que é, afinal, uma ciclogénese explosiva
Em termos técnicos, uma ciclogénese corresponde ao processo de formação ou intensificação de uma depressão. Considera-se explosiva quando a pressão atmosférica no centro do sistema baixa pelo menos 20 hPa em 24 horas nas latitudes médias.
No caso concreto de Goretti, os modelos apontam para uma intensificação ainda mais rápida, o que explica a atenção acrescida dos serviços meteorológicos. Segundo a mesma fonte, este tipo de sistemas tende a gerar gradientes de pressão muito acentuados, responsáveis por ventos fortes, agitação marítima significativa e frentes activas associadas.
Porque é que Portugal será afetado pela tempestade
Apesar de o centro da depressão passar bastante a norte de Portugal continental, os seus efeitos indirectos serão sentidos devido à interação entre Goretti e o anticiclone dos Açores. Esse contraste de pressão vai reforçar o fluxo de oeste e sudoeste sobre o território, canalizando instabilidade para várias regiões.
De acordo com a publicação especializada, o impacto em Portugal será moderado, mas suficiente para provocar chuva persistente em alguns distritos, rajadas fortes em zonas expostas e um agravamento do estado do mar, sobretudo no litoral Norte e Centro.
Chuva, vento e neve: o que esperar na quinta e sexta-feira
Na quinta-feira, 8 de janeiro, a frente fria associada à depressão começará a atravessar o país. A precipitação deverá ser mais frequente nas regiões Norte e Centro, sendo em geral fraca, mas pontualmente moderada a forte em distritos como Viana do Castelo, Braga, Porto e Vila Real ao final da tarde.
Segundo os mapas analisados pela mesma fonte, os acumulados de precipitação poderão atingir entre 25 e 30 milímetros até ao final de sexta-feira nesses distritos. No resto do território, a chuva será mais dispersa.
A conjugação de ar frio em altitude com a precipitação poderá ainda originar queda de neve nos pontos mais elevados da serra da Estrela durante a tarde de quinta-feira. O vento soprará de sudoeste, fraco a moderado, mas com rajadas que podem chegar aos 65 km/h no litoral a norte do Farol de Aveiro e nas terras altas do Norte e Centro.
Na sexta-feira, 9 de janeiro, a frente dará lugar a aguaceiros pós-frontais, que poderão cair sob a forma de neve acima dos mil metros de altitude. O vento rodará para oeste e poderá atingir rajadas de 70 a 75 km/h nas zonas montanhosas.
Mar agitado e atenção à orla costeira
Outro dos efeitos mais relevantes será a agitação marítima. De acordo com o Meteored, as ondas poderão atingir 3 a 4 metros de altura significativa no litoral Norte e Centro, com picos máximos entre 5 e 6 metros, sobretudo entre sexta-feira e sábado.
Embora não se trate de um episódio extremo em Portugal, os meteorologistas sublinham que a evolução da tempestade deve continuar a ser acompanhada, uma vez que pequenas variações na trajectória podem alterar a intensidade dos impactos.
Para já, o cenário aponta para um agravamento temporário do estado do tempo, num Inverno que continua marcado por grande variabilidade atmosférica no Atlântico Norte.
















