O tempo instável veio para ficar e poderá prolongar-se por várias semanas. Portugal continental deverá manter-se sob influência de chuva frequente, por vezes intensa, intercalada com breves períodos de abertas, num cenário que poderá estender-se até meados de fevereiro. Um dos fatores mais relevantes por trás desta persistência é a presença de rios atmosféricos carregados de humidade tropical, alguns deles com origem nas Caraíbas, que estão a alimentar sucessivas frentes atlânticas dirigidas ao território nacional.
De acordo com o Meteored, site especializado em meteorologia, este padrão meteorológico explica não apenas a frequência da precipitação, mas também a sua intensidade em determinados períodos, sobretudo nas regiões mais expostas do Norte e Centro do país.
Chuva forte, vento e neve marcam os próximos dias
Na quinta-feira, 29 de janeiro, prevê-se a continuidade do tempo instável, com chuva por vezes forte, em especial nas regiões Norte e Centro. A sul do Tejo, a precipitação deverá intensificar-se durante parte da tarde, embora de forma mais temporária.
Segundo a mesma fonte, o vento soprará de oeste com rajadas até 70 km/h no litoral, podendo atingir cerca de 90 km/h nas terras altas. Está também prevista queda de neve nos pontos mais elevados da Serra da Estrela, mantendo o cenário invernal nas zonas de maior altitude.
A agitação marítima continua a ser motivo de preocupação. Estão em vigor avisos laranja e vermelho para a faixa costeira ocidental, com ondas que poderão atingir entre 12 e 14 metros de altura máxima, sobretudo entre hoje e amanhã.
Sexta-feira marcada pelo reforço da precipitação
Na manhã de sexta-feira, 30 de janeiro, a precipitação deverá regressar e intensificar-se. De acordo com a mesma fonte, este agravamento está diretamente relacionado com a passagem de um rio atmosférico que aumenta significativamente a quantidade de água precipitável sobre Portugal.
Estes corredores de humidade funcionam como autênticas autoestradas de vapor de água, transportando ar quente e húmido das latitudes subtropicais até à Europa Ocidental. Quando interagem com frentes frias e sistemas depressionários, potenciam episódios de chuva persistente e, por vezes, intensa.
O que torna este rio atmosférico particularmente relevante
Segundo a análise do Meteored com base no modelo europeu, um dos aspetos mais surpreendentes do atual rio atmosférico que liga as Caraíbas a Portugal é a sua persistência. Em vez de um episódio isolado, trata-se de uma alimentação contínua de humidade às frentes associadas às depressões centradas no Atlântico Norte.
Esta configuração resulta num reforço constante da precipitação, sobretudo nas regiões mais expostas à circulação de oeste, elevando o risco de acumulados elevados em curtos períodos de tempo.
Um padrão atmosférico que favorece a instabilidade
A atual configuração sinóptica é marcada por um bloqueio de altas pressões em latitudes mais elevadas. Este bloqueio empurra a corrente de jato polar para sul, canalizando sucessivas frentes e depressões atlânticas diretamente para o Sudoeste da Europa, onde se insere Portugal continental.
De acordo com a publicação, a conjugação entre esta circulação atmosférica e os rios atmosféricos cria as condições ideais para a manutenção de um tempo húmido e instável, com poucas janelas prolongadas de tempo seco.
Alguns intervalos sem chuva, mas tendência mantém-se
Entre 28 de janeiro e a próxima terça-feira, dia 3, poderão ocorrer alguns períodos sem precipitação, com céu nublado ou mesmo soalheiro. Ainda assim, a tendência dominante nos mapas de curto e médio prazo aponta para a continuidade do regime instável.
A publicação sublinha que estes intervalos serão, à partida, curtos e insuficientes para inverter a saturação dos solos já provocada pelas últimas semanas de chuva quase contínua.
Açores também sob forte influência
O arquipélago dos Açores não ficará à margem deste padrão. De acordo com a mesma fonte, a sua localização geográfica torna-o particularmente exposto aos rios de humidade provenientes das Caraíbas e a outras frentes e depressões atlânticas, o que poderá traduzir-se em períodos prolongados de precipitação.
Risco de cheias pode agravar-se até fevereiro
Segundo os mapas de médio prazo, enquanto esta configuração atmosférica se mantiver, algo que poderá acontecer até meados de fevereiro, a combinação de precipitação abundante com ar ameno e húmido de origem tropical poderá ter efeitos adicionais.
O Meteored alerta que este cenário pode acelerar o degelo da neve acumulada nos cumes das principais montanhas portuguesas. Juntando este fator aos solos já saturados, aumenta o risco de cheias, inundações, derrocadas e deslizamentos de terras, sobretudo em zonas historicamente vulneráveis.
Em síntese, o tempo instável que se tem feito sentir não é um episódio pontual. A presença persistente de rios atmosféricos, alguns com origem a milhares de quilómetros, está a desempenhar um papel central num inverno marcado por chuva frequente e riscos associados que exigem acompanhamento atento nos próximos dias e semanas.
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