A tempestade Ingrid deverá agravar o tempo em Portugal continental entre quinta-feira (22) e domingo (25), com o “ápice” apontado para o período entre sexta (23) e sábado (24), trazendo chuva por vezes forte, vento intenso, descida de temperatura e possibilidade de neve, além de mar muito agitado.
De acordo com análise partilhada, Alfredo Graça (Meteored) refere que a depressão se irá intensificar rapidamente (“cavar de forma explosiva”) entre o Norte da Península Ibérica e a Bretanha francesa, enviando frentes frias e linhas de instabilidade muito ativas para o território continental.
O IPMA, por sua vez, já tem avisos meteorológicos associados ao agravamento da tempestade Ingrid, com destaque para a agitação marítima na costa ocidental e para a neve em vários distritos do Norte e Centro, numa janela temporal que coincide com o período mais crítico apontado nas previsões.
Chuva forte, granizo e trovoada: onde pode chover mais
A partir do início da tarde de quinta-feira (22) é esperada a chegada de um sistema frontal “muito ativo”, com precipitação generalizada e maior intensidade no litoral Norte e Centro, mas também com impacto em áreas do interior e na Área Metropolitana de Lisboa, segundo o Meteored.
Há ainda referência a risco de granizo e trovoadas irregulares, algo típico quando passam linhas de instabilidade mais vigorosas, e o cenário adverso pode prolongar-se por sexta (23) e pelo fim de semana, com melhoria mais clara apenas perto de domingo (25).
Na prática, o “quando” é tão importante como o “onde”: o padrão descrito aponta para uma fase mais chuvosa da tempestade Ingrid entre quinta e sexta, com novos episódios a surgirem à medida que entram frentes sucessivas no país.
Vento forte e mar bravo: atenção ao litoral e às zonas expostas
O vento do quadrante oeste deverá intensificar-se a partir do final da tarde de quinta-feira (22), com rajadas na ordem dos 70–80 km/h no litoral e 80–100 km/h nas terras altas, segundo informação divulgada com base nas previsões do IPMA.
Quanto ao mar, o IPMA prevê ondulação de noroeste com 5 a 7 metros de altura significativa e altura máxima até 12 metros em períodos sob aviso laranja, incluindo na costa ocidental.
O Meteored vai mais longe no cenário de ondulação no Atlântico Norte, referindo ondas que podem chegar aos 20 metros (um valor que costuma dizer respeito a zonas oceânicas mais expostas), reforçando a necessidade de prudência junto ao mar, sobretudo em molhes, arribas e frentes marítimas.
Neve: cotas a descer e acumulações significativas no Norte e Centro
De acordo com Alfredo Graça, o “salto” para um ambiente mais invernal deverá acontecer a partir de sexta-feira (23), quando uma massa de ar polar mais fria poderá provocar descida acentuada das temperaturas e baixar a cota de neve, com neve a não ficar limitada apenas às zonas de montanha.
O Meteored aponta neve acima dos 600–800 metros, admitindo descidas temporárias para os 500 metros em alguns locais, e refere que o pico da queda de neve poderá ocorrer entre o fim da tarde de sexta (23) e o fim da manhã de sábado (24), afetando distritos como Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real, Viseu, Bragança, Guarda, Castelo Branco e Coimbra.
O IPMA também sinaliza avisos laranja de neve em vários distritos do Norte e Centro, o que reforça o alerta para deslocações em zonas altas, risco de piso escorregadio e eventuais condicionamentos em estradas de montanha.
O que fazer: medidas simples para reduzir riscos
Se vive no litoral, o conselho é “velho, mas bom”: evitar aproximação ao mar durante períodos de ondulação forte e não facilitar em zonas expostas, o mar pode parecer “calmo” por minutos e depois surpreender com uma vaga maior.
Em casa, vale a pena garantir que objetos soltos estão presos (varandas e quintais), verificar caleiras e escoamentos e planear deslocações com margem, sobretudo entre 22 e 24 de janeiro, quando se espera o período mais crítico do episódio.
Para viagens ao interior e serras, a regra é simples: acompanhar avisos oficiais, confirmar o estado das estradas e não arriscar, com neve, granizo ou chuva congelante, “mais vale perder cinco minutos do que uma vida”.















