Setembro poderá começar com vários dias de tempo seco e temperaturas elevadas, mas o cenário poderá mudar à medida que o mês avança. Os modelos começam a mostrar alterações na circulação atmosférica que podem facilitar a aproximação de perturbações a Portugal, aumentando gradualmente a possibilidade de períodos de chuva, sobretudo na segunda metade do mês.
Nos primeiros dias de setembro, a chuva deverá continuar praticamente afastada de Portugal continental. A previsão aponta inicialmente para uma subida significativa das temperaturas, podendo mesmo ser atingidos valores muito elevados entre os dias 3 e 5 nas regiões habitualmente mais quentes.
Segundo a análise da Luso Meteo, esta fase de calor poderá, contudo, ter uma duração relativamente curta. A partir do primeiro fim de semana do mês começam a surgir sinais de alteração do padrão atmosférico, com possibilidade de aguaceiros ou trovoadas em algumas regiões.
Primeiro fim de semana pode trazer os primeiros sinais de chuva
É precisamente durante o primeiro fim de semana de setembro que poderá começar uma fase mais variável, associada à aproximação de perturbações em altitude.
Isto não significa que esteja prevista chuva generalizada ou persistente. O cenário em análise aponta antes para episódios localizados de instabilidade, que poderão traduzir-se em aguaceiros e trovoadas intercalados com períodos de tempo seco. A localização e intensidade destes episódios só poderão ser determinadas com maior confiança à medida que as datas se aproximarem.
Segunda semana poderá continuar com pouca chuva
Ao longo da segunda semana, a circulação atmosférica poderá começar a sofrer novas alterações, sobretudo se o anticiclone se deslocar para latitudes mais elevadas. Esta configuração abriria mais espaço no Atlântico para a circulação de perturbações, aumentando gradualmente a possibilidade de alguma instabilidade chegar à Península Ibérica.
Ainda assim, não é esperado nesta fase um período prolongado de chuva. Poderão existir dias completamente secos alternados com episódios pontuais de aguaceiros ou trovoadas. Também aqui o IPMA não aponta, por enquanto, para precipitação acima do habitual. Na segunda semana da previsão alargada, são previstos valores abaixo do normal em várias regiões do Continente.
Segunda quinzena concentra maior possibilidade de chuva
É sobretudo depois de meados de setembro que a evolução meteorológica se torna mais interessante do ponto de vista da precipitação. Existem sinais nos modelos de uma eventual alteração mais profunda da circulação no Atlântico, que poderá favorecer a aproximação de depressões e sistemas frontais à Península Ibérica.
A evolução da Oscilação de Madden-Julian, conhecida pela sigla MJO, é um dos elementos acompanhados. A passagem para determinadas fases poderá contribuir, alguns dias depois, para uma configuração mais favorável a um regime de NAO negativa.
Caso esta situação se concretize, o anticiclone poderá perder influência junto de Portugal, deixando maior espaço para a aproximação de perturbações atlânticas.
Últimos dez dias de setembro podem ser os mais chuvosos
O período entre aproximadamente 20 e 30 de setembro surge, por isso, como aquele que merece maior acompanhamento.
Segundo a análise da Luso Meteo baseada nas tendências apresentadas pelos modelos, poderá existir nesta fase maior possibilidade de passagem de frentes e depressões, acompanhadas por períodos de chuva, vento e descida das temperaturas.
O fortalecimento sazonal do vórtice polar também começa a ganhar importância nesta altura do ano. Caso contribua para uma corrente de jato mais intensa e suficientemente deslocada para sul, poderá favorecer uma circulação atlântica mais ativa junto da Europa Ocidental.
Depressões a sudoeste de Portugal podem alterar completamente o cenário
Uma das configurações atualmente observadas nos modelos passa pela eventual formação de áreas de baixa pressão a sudoeste do território continental. Se uma depressão conseguir permanecer numa posição favorável, poderá transportar ar bastante húmido em direção à Península Ibérica e provocar episódios de precipitação mais significativa.
Este tipo de situação pode resultar em períodos de chuva forte, aguaceiros e trovoadas, mas é particularmente difícil de antecipar com várias semanas de antecedência. Pequenas alterações na posição de uma depressão podem determinar se a chuva atinge sobretudo Portugal, Espanha ou permanece sobre o Atlântico.
Norte e Centro podem ficar mais expostos às frentes atlânticas
Se o Atlântico se tornar efetivamente mais ativo durante a segunda metade de setembro, as regiões Norte e Centro estarão naturalmente entre as mais expostas à passagem de sistemas frontais. O Minho e as zonas montanhosas do Norte e Centro costumam receber maiores quantidades de precipitação quando as frentes atlânticas conseguem atravessar o território.
Alguns cenários de longo prazo também mostram, contudo, precipitação mais significativa no Sul depois do dia 20.
Açores podem ter vários episódios de chuva
Nos Açores, o sinal de precipitação é atualmente mais evidente em algumas fases do mês. De acordo com o IPMA, entre 31 de agosto e 6 de setembro são previstos valores de precipitação acima do normal nos grupos Ocidental e Central.
Durante a segunda semana, o sinal de chuva acima do habitual permanece sobretudo no grupo Ocidental, mais exposto às perturbações que atravessam o Atlântico.
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