O frio previsto confirmou-se durante a madrugada deste sábado, com uma descida acentuada das temperaturas mínimas em várias regiões do continente, em particular no interior norte e centro e em alguns pontos do Alentejo. Em várias cidades, os termómetros desceram para valores próximos dos 0 graus nas primeiras horas do dia, num episódio que marcou um dos amanheceres mais frios deste inverno até agora e que deverá continuar a fazer-se sentir nos próximos dias, sobretudo durante a noite e ao início da manhã, nas mesmas regiões do interior.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), este arrefecimento resulta da entrada de uma massa de ar frio e seco de origem continental, que se instalou sobre o território durante a noite, criando condições favoráveis a uma perda rápida de calor à superfície.
Interior concentrou as temperaturas mais baixas
As regiões do interior foram as mais expostas a este pico de frio. Em cidades como Guarda, Bragança, Vila Real, Viseu, Castelo Branco, Braga, Aveiro e Évora, as temperaturas mínimas situaram-se entre os 0 e os 5 graus, com valores mais baixos registados nas zonas de maior altitude e nas áreas afastadas da influência marítima.
A diferença face ao litoral voltou a ser evidente. A proximidade ao oceano Atlântico atenuou a descida das temperaturas nas zonas costeiras, enquanto no interior o relevo e a fraca circulação do vento durante a noite favoreceram o arrefecimento.
Em muitas localidades, o frio fez-se sentir de forma mais intensa ao amanhecer, sobretudo em zonas abertas e menos urbanizadas.
Do ponto de vista meteorológico, o episódio está associado a uma circulação de norte reforçada por um campo de altas pressões a oeste da Península Ibérica.
Esta configuração atmosférica reduziu a nebulosidade noturna e limitou a mistura do ar em altitude, potenciando o chamado arrefecimento radiativo, um processo típico de noites estáveis e limpas durante o inverno.
Geada observada em zonas rurais
Em várias áreas do interior, sobretudo em vales e zonas deprimidas, verificaram-se condições favoráveis à formação de geada. O ar frio acumulou-se junto ao solo durante a noite, um fenómeno mais comum em meios rurais e longe da influência térmica das cidades.
Este cenário poderá ter efeitos localizados em culturas agrícolas mais sensíveis às baixas temperaturas, em especial nas fases iniciais de crescimento.
Ainda assim, não se trata de um episódio de frio extremo nem prolongado, enquadrando-se dentro do padrão esperado para esta época do ano.
Desconforto mais evidente nas primeiras horas
Nas zonas urbanas, o impacto do frio sentiu-se sobretudo nas primeiras horas da manhã, com um aumento do desconforto térmico e, em alguns casos, do consumo energético durante a noite.
Edifícios com menor eficiência térmica tendem a acentuar esta sensação, numa madrugada marcada por temperaturas baixas e céu pouco nublado.
Segundo o IPMA, a evolução para os próximos dias aponta para uma ligeira recuperação das temperaturas mínimas, embora o ambiente frio ao amanhecer de hoje deva permanecer como referência deste episódio invernal em grande parte do interior do país.
















