A passagem da tempestade Kristin por Portugal deixou um rasto de destruição que vai muito além dos danos materiais. Cortes prolongados de eletricidade, falhas no abastecimento de água e problemas no saneamento estão a criar riscos acrescidos para a saúde pública, sobretudo em zonas mais afetadas. Perante este cenário, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu um conjunto de recomendações dirigidas à população, com especial atenção ao consumo de água e à segurança alimentar.
Segundo a autoridade de saúde, situações de interrupção energética comprometem o funcionamento de estações de tratamento, sistemas de bombagem e a conservação adequada dos alimentos, aumentando o risco de contaminações e infeções.
Água potável: quando a torneira deixa de ser segura
De acordo com a DGS, a água da torneira não deve ser consumida enquanto não existir confirmação oficial da sua segurança. Isto inclui não beber, não lavar alimentos e não escovar os dentes com água da rede pública em zonas afetadas por falhas no abastecimento.
Sempre que possível, a recomendação passa pelo uso exclusivo de água engarrafada. Quando essa opção não está disponível, explica a autoridade de saúde, a água deve ser fervida durante pelo menos dez minutos antes de qualquer utilização. Em alternativa, pode ser feita a desinfeção com lixívia doméstica sem perfumes ou detergentes, numa proporção aproximada de duas gotas por litro de água, deixando atuar durante meia hora.
A DGS sublinha ainda a importância de lavar cuidadosamente as mãos antes de manusear água tratada ou alimentos, reduzindo o risco de transmissão de agentes patogénicos.
Saneamento: cuidados que evitam problemas maiores
No que respeita ao saneamento básico, a orientação é clara: sempre que a rede esteja operacional, a sanita deve continuar a ser utilizada. Contudo, se existirem falhas, deve evitar-se o despejo de águas residuais de forma descontrolada.
Segundo a mesma fonte, águas da lavagem não devem ser lançadas em solos, ribeiros ou linhas de água, e o lixo doméstico deve ser mantido afastado de poços, nascentes ou outras fontes de abastecimento, prevenindo contaminações ambientais.
Alimentos: o que pode ser consumido e o que deve ir para o lixo
A segurança alimentar é outra das grandes preocupações após temporais desta dimensão. A DGS explica que, se a falha de energia no frigorífico não ultrapassar as 12 horas, muitos alimentos poderão manter-se seguros para consumo.
Alguns produtos frescos, como frutas e hortícolas mais resistentes, tendem a aguentar melhor períodos sem refrigeração. Já os congeladores, se mantidos fechados, conseguem preservar alimentos até 48 horas quando cheios ou cerca de 24 horas quando apenas meio cheios.
Alimentos que, após o restabelecimento da eletricidade, ainda apresentem cristais de gelo ou se mantenham frios podem, em regra, ser cozinhados ou recongelados. Segundo a autoridade de saúde, estes devem ser confecionados a temperaturas superiores a 75 graus e consumidos o mais rapidamente possível.
A recomendação é inequívoca: nunca provar alimentos para avaliar se estão bons. Qualquer produto com cheiro, cor ou textura alterados deve ser descartado de imediato.
Outros riscos após a tempestade
Para além da água e dos alimentos, a DGS alerta para outros perigos frequentes após eventos meteorológicos extremos. Deve evitar-se atravessar zonas inundadas ou ter contacto direto com águas das cheias, uma vez que podem conter contaminantes químicos ou biológicos.
Durante limpezas, é aconselhável o uso de luvas e botas impermeáveis. Superfícies que tenham estado em contacto com água devem ser limpas e desinfetadas, e os aparelhos elétricos não devem ser ligados enquanto existir humidade acumulada no interior das habitações.
A autoridade de saúde recomenda ainda que a população evite áreas com árvores instáveis ou estruturas danificadas, mantenha lanternas e pilhas acessíveis e siga sempre as indicações das autoridades locais e da proteção civil.
Num contexto em que muitas zonas continuam fragilizadas, estas medidas simples podem fazer a diferença entre um regresso seguro à normalidade e problemas de saúde evitáveis.
















