O estado do tempo em território continental vai sofrer um novo agravamento significativo nas próximas horas devido à aproximação de um fenómeno meteorológico complexo. Uma massa de ar carregada de humidade viaja desde o Atlântico e promete atingir o país com precipitação abundante, elevando o risco de inundações em áreas já saturadas pela água.
Esta situação deve-se a um rio atmosférico que funciona como um corredor de vapor de água tropical e que vai interagir com frentes frias ativas. A previsão é avançada pelo Meteored, portal especializado em meteorologia, que alerta para o regresso da chuva intensa e persistente já a partir desta terça-feira.
O meteorologista Alfredo Graça, da referida plataforma, é perentório ao afirmar que o “jato polar continuará a circular na direção de Portugal” continental ao longo desta semana. O especialista destaca que a precipitação será particularmente forte e persistente em duas regiões: a Norte e a Centro, principalmente nas zonas localizadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
O perigo de chover sobre o molhado
A deslocação do anticiclone dos Açores para sul permitiu a formação de um corredor para a passagem sucessiva de tempestades vindas do Atlântico Norte. Embora este novo episódio não tenha a mesma magnitude do anterior, o facto de a chuva cair sobre solos que já não conseguem absorver mais água aumenta exponencialmente o perigo de cheias e deslizamentos de terras.
Indica a mesma fonte que a instabilidade será marcada durante a manhã e início da tarde de terça-feira com a possibilidade de ocorrência de trovoadas fortes. O risco abrange uma vasta área geográfica entre o Minho e o Tejo, podendo afetar distritos como Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Leiria ou Lisboa.
Trajeto da tempestade muda na quarta-feira
A dinâmica atmosférica altera-se ligeiramente na quarta-feira com a chuva a alcançar as zonas compreendidas entre os rios Mondego e Guadiana desde a madrugada. A precipitação tornar-se-á persistente e por vezes forte na faixa territorial entre o Tejo e o Guadiana, fustigando as áreas expostas aos ventos de sudoeste.
O sistema frontal voltará a incidir sobre a região Norte entre a manhã e a tarde desse mesmo dia, com chuva moderada nos distritos a oeste das barreiras de condensação. Em contrapartida, o Algarve permanecerá à margem dos maiores impactos deste rio atmosférico, registando apenas céu encoberto e precipitação fraca.
Subida dos termómetros e derretimento de neve
A chegada desta massa de ar tropical terá um efeito direto nas temperaturas, provocando uma subida generalizada ou a manutenção dos valores mínimos e máximos. Explica a referida fonte que as mínimas oscilarão entre os 12 e os 15 graus na generalidade do território, descartando completamente qualquer hipótese de queda de neve.
A chuva abundante que cairá nas serras mais altas do Norte e Centro terá o efeito adverso de derreter o manto branco que ainda persista nos cumes. Este fator adicional contribuirá para o aumento rápido dos caudais dos rios e para o eventual transbordamento de cursos de água nestas regiões montanhosas.
Ventos fortes e avisos à população
O vento soprará com intensidade do quadrante oes-sudoeste, afetando significativamente toda a área geográfica a norte do rio Tejo. As rajadas poderão atingir os 70 quilómetros por hora na faixa costeira e chegar aos 90 quilómetros por hora nas terras altas.
Explica ainda o Meteored que a monitorização das barragens deve ser constante, dado que muitas albufeiras se encontram no limite da sua capacidade. A água fluirá com maior velocidade sobre a terra devido à saturação dos solos, exigindo precaução redobrada às populações ribeirinhas nos próximos dias.
















