Com a previsão do tempo a manter Portugal sob alerta máximo devido à chuva persistente e ao risco de inundações, voltam a ganhar relevância recomendações práticas de autoproteção que, em muitos casos, fazem a diferença entre sair ileso ou correr riscos desnecessários. Num país onde fenómenos extremos são recorrentes, os japoneses desenvolveram ao longo das últimas décadas uma cultura de prevenção que hoje é usada como referência internacional.
De acordo com a Embaixada do Japão em Portugal, numa publicação na rede social Facebook, a preparação individual e o conhecimento de regras simples de segurança são tão importantes quanto os sistemas de aviso precoce. Em situações de cheias rápidas, decisões aparentemente banais podem ter consequências graves.
O calçado errado pode tornar-se um problema
Uma das recomendações mais contraintuitivas, mas repetidamente sublinhada pelas autoridades japonesas, prende-se com o calçado. Segundo a mesma fonte, o uso de galochas ou botas altas em zonas inundadas pode ser perigoso.
Quando a água entra no interior, o peso aumenta de forma significativa, reduzindo a mobilidade e aumentando o risco de queda.
A orientação passa por utilizar ténis ou sapatilhas bem ajustadas ao pé, que garantem maior estabilidade e permitem reagir com mais rapidez caso seja necessário mudar de direção ou evitar um obstáculo submerso.
Quando a água chega aos joelhos, é hora de recuar
Outro princípio amplamente divulgado no Japão diz respeito ao nível da água. De acordo com a Embaixada do Japão em Portugal, a chamada regra do joelho é um critério simples e eficaz: quando a água atinge essa altura, a força da corrente torna-se suficiente para derrubar um adulto.
Nessas circunstâncias, tentar caminhar pode ser mais perigoso do que permanecer em local elevado. Se a subida da água ocorrer rapidamente e a saída já não for segura, a recomendação passa pela evacuação vertical, subindo para pisos superiores da habitação e aguardando instruções das autoridades.
O perigo invisível sob a água
Caminhar em zonas alagadas implica riscos que não são imediatamente visíveis. Como explica a mesma fonte, durante cheias rápidas é comum que tampas de esgotos sejam deslocadas, criando aberturas profundas escondidas pela água turva.
Para reduzir esse risco, os japoneses aconselham o uso de um objeto longo, como um guarda-chuva ou um cabo de vassoura, funcionando como um terceiro ponto de apoio. Este gesto simples permite sondar o terreno à frente e detetar irregularidades antes de avançar.
Automóveis não são abrigo seguro
Um dos erros mais frequentes em situações de cheias é subestimar a força da água em movimento. Segundo dados divulgados pelos japoneses e citados pela Embaixada do Japão em Portugal, cerca de 30 centímetros de água corrente podem ser suficientes para arrastar a maioria dos automóveis.
A recomendação é clara: perante uma estrada inundada, não avançar. Dar meia-volta é sempre a opção mais segura, mesmo que o percurso alternativo seja mais longo.
Preparação que começa antes da tempestade
A experiência dos japoneses mostra que a segurança começa antes do evento extremo de cheias. Conhecer as rotas de evacuação, ter lanternas, baterias e um pequeno kit de emergência acessível são medidas simples que reduzem o stress e o risco quando o tempo aperta.
Num contexto em que Portugal tem enfrentado episódios meteorológicos cada vez mais intensos, estas orientações ganham atualidade.
Como sublinha a Embaixada do Japão em Portugal, a prevenção não elimina o perigo, mas aumenta significativamente as hipóteses de uma resposta segura e eficaz.
Em dias de chuva persistente e alertas sucessivos, saber quando parar, quando subir e quando recuar pode ser tão importante quanto qualquer aviso oficial.
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