A chuva deverá continuar a marcar o estado do tempo em Portugal pelo menos até meados de fevereiro, prolongando um padrão já persistente nas últimas semanas. As previsões apontam para mais sete a oito dias de precipitação frequente, por vezes intensa, antes de surgirem sinais ainda ténues de uma possível mudança associada ao reforço do anticiclone.
A persistência deste cenário começa a gerar preocupação acrescida, não tanto pela falta de água, mas pelo risco crescente de cheias e de aumento significativo dos caudais dos rios, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Apesar de alguns intervalos com abertas, o guarda-chuva continuará a ser presença quase obrigatória nos próximos dias.
De acordo com o site Luso Meteo, especializado em meteorologia, o padrão atmosférico atual deverá manter-se pelo menos até ao dia 11 de fevereiro, com vários períodos críticos de precipitação mais intensa intercalados por curtas pausas.
Chuva persistente até ao dia 11 de fevereiro
As previsões indicam que a passagem da depressão Leonardo e de outras perturbações associadas continuará a influenciar o território continental nos próximos dias. Entre 4 e 6 de fevereiro são esperados episódios de chuva generalizada, acompanhados por vento forte e, pontualmente, trovoadas.
Segundo a mesma fonte, uma nova perturbação poderá atravessar o país no sábado, dia 7, com maior impacto provável nas regiões Centro e Sul, embora ainda exista alguma incerteza quanto à sua intensidade e localização exata.
No domingo, dia 8, poderão surgir algumas abertas durante a manhã, mas a instabilidade deverá regressar a partir da tarde, prolongando-se pelos dias 9 e 10. Nesta fase, a precipitação poderá ser mais frequente no Norte e Centro, sempre acompanhada por vento moderado a forte.
O anticiclone continua afastado
A razão para este padrão persistente está na posição recuada do anticiclone, bastante deslocado para sul, o que permite a entrada de um fluxo marítimo subtropical húmido. Este corredor atmosférico facilita a circulação de depressões em latitudes mais baixas, com as respetivas frentes a atravessarem sucessivamente o território português.
Segundo explica a publicação, esta configuração tem sido responsável por semanas consecutivas de precipitação, com poucos intervalos de estabilização efetiva do tempo. A grande questão é perceber quando, e se, o anticiclone conseguirá reforçar-se de forma suficiente para travar este regime.
Há sinais de mudança a partir de meados do mês
Os modelos meteorológicos começam a sugerir uma possível alteração a partir de 12 a 15 de fevereiro. De acordo com o Luso Meteo, o anticiclone poderá subir ligeiramente em latitude e ganhar alguma influência sobre Portugal continental, sobretudo nas regiões a sul do Tejo.
Caso este cenário se confirme, o tempo poderá tornar-se gradualmente mais seco, com uma subida das temperaturas máximas, que em alguns locais poderão aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 20 graus.
No entanto, este aquecimento poderá acelerar o degelo nas zonas montanhosas, contribuindo para um aumento adicional dos caudais dos rios.
No Norte e Centro, mesmo com maior influência anticiclónica, não está excluída a ocorrência de precipitação ocasional, o que mantém elevado o risco de cheias, especialmente em bacias hidrográficas já muito carregadas.
Situação nos arquipélagos
Nos Açores, o cenário mantém-se francamente instável. As previsões apontam para a passagem frequente de superfícies frontais ao longo da primeira e segunda semanas de fevereiro, com vento por vezes forte de sudoeste e níveis elevados de humidade.
Segundo a mesma fonte, poderá ainda ocorrer queda de neve nas zonas mais altas do arquipélago nos primeiros dias do período em análise, seguindo-se um regime dominado por chuva quase diária até, pelo menos, meados do mês.
Na Madeira, o tempo deverá manter-se relativamente estável, alternando entre dias mais húmidos e outros mais secos, sem precipitação significativa. A proximidade do anticiclone ao arquipélago contribui para um cenário mais calmo, com ventos predominantes de oeste ou sudoeste e temperaturas amenas.
Luz ao fundo do túnel, mas com cautela
Embora existam sinais de uma possível melhoria a partir da segunda quinzena de fevereiro, os meteorologistas alertam para a elevada incerteza típica das previsões a médio e longo prazo.
Uma eventual reintensificação da corrente de jato polar poderá voltar a favorecer a entrada de novas depressões atlânticas, sobretudo a norte.
Assim, apesar de se vislumbrar alguma esperança de tempo mais seco, a chuva deverá continuar a fazer parte do quotidiano nas próximas semanas em Portugal, exigindo atenção redobrada ao risco de cheias e à evolução dos níveis dos rios.
















