Se os últimos dias foram marcados por alguma estabilidade e abertas de sol, o cenário meteorológico em Portugal continental prepara-se para sofrer uma alteração drástica na segunda quinzena de janeiro. Uma configuração atmosférica específica no norte da Europa vai obrigar as frentes frias a descerem de latitude, colocando o território nacional na rota direta da precipitação e da instabilidade, segundo o especialista em meteorologia Alfredo Graça do Meteored.
De acordo com as previsões mais recentes, esta mudança de padrão deve-se à formação de um robusto bloqueio de altas pressões na região da Escandinávia e do Mar do Norte. Este muro anticiclónico vai impedir que as tempestades sigam o seu trajeto habitual para norte, desviando-as forçosamente em direção ao sul da Europa e, consequentemente, para Portugal.
O regresso da chuva e a anomalia de precipitação
As projeções indicam que a estabilidade atmosférica tem os dias contados. O modelo de referência do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF) aponta para uma segunda metade do mês significativamente mais húmida do que o habitual. Prevê-se uma anomalia de precipitação positiva, o que significa que irá chover mais do que a média climatológica para esta época do ano.
Segundo a análise de Alfredo Graça, esta instabilidade não será passageira. A persistência deste bloqueio anticiclónico poderá manter o fluxo de depressões ativo sobre o continente durante vários dias, gerando episódios de chuva frequente e abundante que contrastam com o tempo seco verificado no início do mês.
Descida das temperaturas e regresso do frio
Para além da chuva, as temperaturas também vão sofrer alterações. A circulação atmosférica prevista trará não apenas humidade, mas também uma massa de ar mais frio, levando a que os valores registados fiquem entre um a três graus abaixo do que é normal para o mês de janeiro.
Este arrefecimento será particularmente notório nas regiões do interior e nas zonas montanhosas, onde a sensação térmica será agravada pelo vento e pela humidade. O cenário desenha-se assim tipicamente invernal, exigindo um reforço nos agasalhos e cuidados redobrados na estrada devido às condições adversas.
Neve na Serra e cuidados na estrada
A conjugação da massa de ar polar com a precipitação persistente abre a porta ao regresso da neve nos pontos mais altos de Portugal continental, com destaque para a Serra da Estrela. Este cenário tipicamente invernal poderá condicionar a circulação rodoviária, exigindo atenção redobrada aos condutores devido à possibilidade de formação de gelo e piso escorregadio nas vias do interior norte e centro.
As datas e as regiões mais afetadas
A viragem no estado do tempo tem data marcada para o próximo dia 19 de janeiro. É a partir deste momento que se espera que o bloqueio anticiclónico comece a exercer a sua influência máxima, empurrando as frentes atlânticas para a Península Ibérica. A semana de 20 a 27 de janeiro perfila-se como o período mais crítico desta instabilidade.
Ao contrário do território continental, a situação será distinta nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. De acordo com o portal Meteored, estas regiões deverão beneficiar da proteção de cristas anticiclónicas, o que permitirá escapar ao pior deste temporal e manter valores de precipitação abaixo da média histórica para esta época do ano.
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