O regresso de emigrantes portugueses ao país está a intensificar-se, apoiado por medidas estatais e por decisões pessoais que privilegiam estabilidade e proximidade familiar. O caso de Vera Honório, que voltou a Portugal após 18 anos no estrangeiro e recebeu 9.000 euros através do Programa Regressar, ilustra esta realidade.
Aos 35 anos, a ex-emigrante instalou-se em Tondela com a filha e encontrou trabalho poucos meses depois. O apoio financeiro surge como complemento num processo de recomeço que, segundo o seu testemunho, continua em construção.
Apoios financeiros com várias componentes
De acordo com o portal de notícias Contacto, o montante atribuído no âmbito do Programa Regressar depende de vários critérios, incluindo o tipo de contrato e a situação do agregado familiar. O valor base pode variar entre cinco e sete vezes o Indexante dos Apoios Sociais. “O montante a receber pode ascender a mais de 10.000 euros por candidatura”, indica o Ministério do Trabalho, citado pela mesma fonte, referindo ainda que existem majorações associadas a despesas e localização do emprego.
O apoio é atribuído em duas fases e implica a manutenção de atividade profissional em Portugal. “São dois pagamentos: no primeiro recebi 70% dos 9.000 euros e, no segundo, vou receber os restantes 30%”, explicou Vera Honório. “Daqui a seis meses, vou ter de provar que continuo a trabalhar e vivo em Portugal para receber o que falta”, acrescentou, conforme a mesma fonte.
Luxemburgo destaca-se nas candidaturas
O Luxemburgo é o quinto país com mais candidaturas ao programa. O país representa cerca de 4% dos pedidos submetidos por emigrantes que decidiram regressar. Segundo a mesma fonte, a maioria destes candidatos saiu de Portugal antes de 2010, o que indica percursos migratórios prolongados antes do regresso.
A idade média dos candidatos ronda os 40 anos. “A maioria dos ex-emigrantes […] tinham entre os 30 e os 39 anos”, escreve o portal, com base em dados oficiais. Mais de metade dos candidatos tem escolaridade até ao 9.º ano, enquanto uma percentagem mais reduzida possui formação superior, refere a mesma fonte.
Vida fora nem sempre corresponde às expectativas
De salientar que Vera Honório viveu em França e no Luxemburgo, onde enfrentou dificuldades na gestão familiar e nos custos de vida. “Passei grandes dificuldades”, afirmou, recordando os primeiros anos de emigração. “Lá fora ganha-se mais, mas também se gasta bastante”, disse ainda, explicando que os encargos com habitação e o quotidiano eram elevados, conforme a mesma fonte.
A decisão de regressar foi também influenciada pela família. “Chegou a um ponto que já não fazia sentido estar no estrangeiro”, afirmou ao Contacto, referindo a distância de um dos filhos. “Nunca mais volto a emigrar”, declarou, acrescentando ainda: “sinto-me muito mais feliz aqui”.
Integração no mercado de trabalho
Após regressar, Vera encontrou emprego em pouco tempo, primeiro na indústria alimentar e depois como relações públicas. O percurso profissional foi reconstruído gradualmente. “Estou a recomeçar e ainda estou a construir as minhas bases”, explicou, descrevendo o momento atual da sua vida em Portugal. O número de candidaturas ao programa tem aumentado desde o seu lançamento. “Há cada vez mais pessoas a querer voltar”, afirma. “Todos os dias recebo mensagens”, acrescentou, referindo que muitos emigrantes ponderam regressar, embora alguns sintam receio.
Desde 2019, foram submetidas mais de 25.000 candidaturas ao Programa Regressar. De acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, cerca de 70% foram aprovadas. Os dados mais recentes indicam que quase 7.000 candidaturas tiveram aprovação no último período, confirmando a adesão significativa à medida.















