Sabe-se que seis organizações portuguesas enviaram uma carta aberta ao primeiro-ministro, exigindo que o Governo se pronuncie sobre as ações dos Estados Unidos na Venezuela e outros países das Caraíbas. De acordo com o jornal Correio da Manhã, o documento foi entregue na residência oficial de São Bento enquanto o primeiro-ministro participava no Conselho Europeu em Bruxelas.
O grupo alerta para ameaças e agressões que considera violarem o Direito Internacional. Segundo a mesma fonte, os movimentos defendem que Portugal deve proteger também os interesses da comunidade portuguesa residente na Venezuela, uma das mais numerosas fora do país.
Pressão diplomática e papel da União Europeia
As organizações pedem que o Governo exerça influência junto da União Europeia para que se pronuncie sobre as ações norte-americanas. A intenção é reforçar uma resposta coletiva à situação, assegurando que Portugal não permaneça indiferente face às tensões na região.
De acordo com a mesma fonte, Isabel Camarinha, representante do Conselho Português para a Paz e Cooperação, afirmou que “o Governo deve tomar uma posição de condenação destas ameaças e agressões abertas que estão a ser feitas pelos Estados Unidos da América, em violação do Direito Internacional”.
Ações recentes dos Estados Unidos
O jornal refere que os EUA aumentaram a presença militar no mar das Caraíbas desde agosto, incluindo o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford em outubro, transportando cerca de 5.000 militares e 75 aviões de combate, apoiados por cinco contratorpedeiros. Segundo a mesma fonte, no final do mês, o total de soldados norte-americanos na região atingia 10.000, metade a bordo de oito navios.
Acrescenta a publicação que, na terça-feira, dia 16, o presidente Donald Trump ordenou um bloqueio total à entrada e saída de navios petrolíferos sancionados pelo Governo norte-americano. Este conjunto de medidas intensifica as tensões na região e aumenta a preocupação internacional.
Consequências para a Venezuela e países vizinhos
A carta sublinha que a intensificação do bloqueio e medidas coercivas contra países como Cuba, Nicarágua, Brasil e México são indicativos de um esforço dos EUA para impor domínio na região. Isabel Camarinha destacou que ataques anteriores a embarcações supostamente envolvidas no tráfico de droga, que resultaram na morte de 95 tripulantes, demonstram que o narcotráfico tem sido usado como pretexto para intervir em recursos naturais, nomeadamente o petróleo venezuelano.
Refere a mesma fonte que a apreensão do petroleiro Skipper em águas internacionais é considerada “completamente inadmissível, à luz do Direito comercial internacional”.
Solidariedade internacional e próximos passos
As organizações pedem ainda que as Nações Unidas se pronunciem sobre os acontecimentos, reforçando a necessidade de defesa do Direito Internacional e da soberania dos povos. Isabel Camarinha sublinhou que a situação é “ainda mais grave” com planos de declaração de guerra à Venezuela e destacou a importância de uma resposta diplomática robusta.
O documento citado pelo Correio da Manhã evidencia uma preocupação persistente com a paz e o desenvolvimento na região, apelando a medidas que protejam cidadãos, recursos naturais e direitos internacionais.
Os movimentos acompanham de perto a evolução dos acontecimentos e aguardam respostas concretas do Governo português.
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